terça-feira, 1 de agosto de 2017

Análise - Melhoria da produção industrial não vai alterar projeções para contração do PIB

Análise - Melhoria da produção industrial não vai alterar projeções para contração do PIB

Apesar da estabilidade de produção industrial em junho,  mantemos expectativa de contração do PIB no segundo trimestre
O resultado da produção industrial superou as expectativas do mercado, ao registrar estabilidade em junho. Esse resultado, em conjunto com o desempenho positivo verificado nos meses anteriores, indica uma estabilização da indústria. No entanto, mantemos nossa expectativa de contração do PIB no segundo trimestre, refletindo o desempenho dos demais setores da economia.
A produção industrial ficou estável entre maio para junho, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo IBGE. O resultado mostrou expansão acima da variação esperada pelo mercado (-0,3%, segundo coleta da Bloomberg). Na comparação interanual, a produção industrial subiu 0,5%, mesma expansão acumulada no primeiro semestre deste ano. Entretanto, nos últimos doze meses, a queda acumulada chegou a 1,9%.
A estabilidade da produção refletiu o resultado heterogêneo dos setores da indústria. Na comparação com o mês anterior, 12 dos 24 setores pesquisados registraram queda da produção. Na abertura por categorias de uso, destacamos o crescimento de bens de capitais e intermediários, de 0,3% e 0,1%, respectivamente. Já a produção de bens de consumo caiu 1,1%, puxada pela queda de 6,0% em duráveis, refletindo a retração da produção de automóveis, enquanto os semi e não-duráveis registraram recuo menos intenso, de 0,5%.
A produção da indústria extrativa cresceu 1,3% em junho, acumulando alta de 6,0% no primeiro semestre na comparação com o mesmo período de 2016. No entanto, a produção do setor ainda permanece abaixo dos níveis registrados antes do acidente em Mariana-MG, no final de 2015.

Para 2017, projetamos uma melhora gradual da produção industrial, impulsionada pela retomada do consumo das famílias e pela redução da taxa de juros. De todo modo, a despeito das melhores perspectivas para a segunda metade do ano, continuamos projetando uma contração do PIB no segundo trimestre, de 0,3%.

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