quinta-feira, 23 de junho de 2016

Artigo, Astor Wartchow - Cosa Nostra

Cosa Nostra

Astor Wartchow
Advogado

      As revelações policiais de atos de corrupção e a divulgação  das delações premiadas, em áudio e vídeo, e em rede nacional de televisão, expondo figuras ilustres da república, seja no âmbito da política ou da economia, provocam minha curiosidade  sobre os reflexos destas condutas delitivas (e prisões) no seio das respectivas famílias e círculo de amizades.
      Pensava eu: "Que tragédia familiar, que vergonha e tristeza. O que devem estar sentindo esposa, filhos, netos e amigos?"
      Ou entao, outra pergunta que eu me fazia: "Amigos, filhos e esposas não tinham curiosidade em saber como o sujeito tem tanto dinheiro para inúmeras posses materiais, gastos e viagens internacionais caríssimas?"
      Quanta ingenuidade e inocência minha. As descrições dos golpes praticados, principalmente os atos de corrupção e enriquecimento ilícito, mesmo aqueles anteriores às operações da Lava-Jato, têm mostrado a participação de integrantes da família.
      Exemplos recentes não faltam. A esposa de Eduardo Cunha nunca se perguntou sobre como ele podia bancar tantas viagens e restaurantes caros? 
      A jornalista Mônica Veloso, que teve uma filha com o senador Renan Calheiros, nunca se perguntou porque o lobista da construtora Mendes Junior pagava seu aluguel e uma pensão mensal?
      E a família de Marcelo Odebrecht nunca se fez perguntas sobre o imenso, interminável e internacional sucesso da empresa?
      Do dia para a noite, os filhos de Lula tornaram-se empresários e consultores bem sucedidos. Suponho que dona Marisa nunca deve ter feito perguntas sobre tamanho, surpreendente e talentoso sucesso. Antes deles, o filho de Fernando Henrique Cardoso também fizera negócios milionários.
      O delator da hora, Sérgio Machado, da Transpetro, tinha seus filhos como sócios delinquentes e "laranjas".
      E não podemos esquecer o "campeão" Paulo Maluf que tinha mulher e filhos como sócios e "laranjas" nas suas milionárias e fraudadas contas no exterior.
      Claro que se observarmos ao nosso redor, não muito longe dos próprios olhos e conhecimento local,  veremos situações semelhantes.
      Com certeza, a boa mesa e vida, o conforto material e "mesadas" milionárias em família, dispensam certas perguntas inoportunas. Se tudo "tá tranquilo, tá favorável", porque questionar sobre a origem do dinheiro, certo?
      Organização criminosa originária da Sicilia (Itália), "Cosa Nostra"  pode ser traduzido como "coisa nossa ou assunto nosso". Em significação e sentido, equivale a palavra "máfia" .


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