sexta-feira, 28 de julho de 2017

Gustavo Grisa: um país sem agenda?

Gustavo Grisa: um país sem agenda?
A agenda brasileira ainda é uma versão requentada das reformas realizadas na década de 1990

* Advogado
É preocupante constatar que, enquanto se centra o debate nacional em disputas de curto alcance e uma repulsa quase generalizada à classe dirigente, temos um descolamento temático da resolução de problemas e da busca de oportunidades para o Brasil. São esquecidos os temas estratégicos, o nosso lugar no mundo em meio ao turbilhão e às perspectivas de uma eleição de 2018 tumultuada com muito moralismo, clima pós-crise, e, talvez, um ínfimo espaço para os temas realmente críticos para o país.
Além da agenda política e do debate pré-eleitoral, há necessidade premente de discussão de conteúdo, de uma agenda nacional. É preciso que os agentes públicos ou candidatos a agentes não fujam de assuntos polêmicos.
A agenda brasileira ainda é uma versão requentada das reformas realizadas no mundo na década de 1990. Existem questões temáticas nacionais que precisam ser definidas e discutidas em uma perspectiva que vai além do show midiático e dos discursos polarizados: o tamanho do Estado, as contas públicas, o regime do funcionalismo, a seguridade social que realmente podemos ter; a flexibilidade no trabalho, políticas consistentes de segurança pública e a inserção do país na quarta revolução industrial e sua realidade econômica. Quais os caminhos para buscar e se garantir prosperidade? Como manter a sociedade resiliente e sustentável, continuar a melhorar o padrão de vida dos brasileiros? Ciência, tecnologia, cultura e meio ambiente são realmente assuntos de terceiro plano?

Será que a evolução das redes sociais e do engajamento da nossa sociedade assegurará um mínimo debate e construção temática no período pré-eleitoral e eleitoral? Ou continuaremos a assistir a improvisos e a uma gestão populista e genérica em que coalizão é sempre mais importante do que o conteúdo, as prioridades? Continuaremos a ter nossos rumos construídos ou arbitrados por vagamente iniciados nos temas? Que ninguém se engane. Política também se faz com um mínimo de policy. E, sem policy, sem agenda, não se renova instituição, o Brasil não avança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário