sábado, 18 de novembro de 2017

Artigo, Milton Santos, Zero Hora - Acampamentos se multiplicam pela cidade

Artigo, Milton Santos, Zero Hora - Acampamentos se multiplicam pela cidade
O autor é jornalista

A invasão das calçadas ou passeios públicos por "moradores de rua" em Porto Alegre vem desde a administração passada. Os inquilinos municipais estão fixando residência à vontade. O maior exemplo é o Viaduto Otávio Rocha, mais conhecido como viaduto da Borges de Medeiros. Antes, eles se instalavam à noite; agora, ficam sempre no local. Ali dá de tudo. Há gente realmente sem teto, vendedores de drogas, usuários, assaltantes e até prostituição, além da sujeira e do cheiro insuportável. Há barracas, colchões, tábuas, um verdadeiro depósito nas calçadas.
Os acampamentos se multiplicam pela cidade. Na passarela de pedestres na rodoviária já há moradores de barracas armadas. Nos arredores da Praça do Papa, na Avenida Erico Verissimo, estão criando uma cidade no canteiro central, e na mesma via, nos fundos do Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete), já fazem fila para escolher lugar. Fora isso, ainda existem os vendedores de frutas, verduras e quinquilharias chinesas, que tomaram conta das calçadas no centro da Capital. Não se consegue nem mais andar. Exemplo é a Borges de Medeiros, da Rua Jerônimo Coelho até o Tudo Fácil, é um horror, os vendedores dividem o espaço com as filas de passageiros do transporte coletivo. Também há os vendedores de cigarros contrabandeados, que operam livremente. Não seria o caso de a Receita e a Polícia Federal entrarem em ação, já que é contrabando? Na Azenha, os problemas se repetem, e com a chegada do Natal o número de vendedores só vai aumentar. Não tenho ido à Avenida Assis Brasil, na Zona Norte, mas acredito que as invasões aconteçam por lá também. Sinto saudade do tempo do "Xerife Adeli Sell" que colocou ordem na Porto Alegre de todos nós.
Do jeito que as coisas estão, logo vão querer invadir nossas casas.
Outro local problemático é a Praça da Matriz, que foi invadida por traficantes e moradores sem teto. E a praça fica no centro dos três poderes; Palácio do Governo, Assembleia Legislativa e Tribunal de Justiça, além do Theatro São Pedro. Ali já aconteceu de tudo, assaltos, tiroteios e mortes entre traficantes e usuários. O local à noite é completamente escuro, não existe iluminação. E, com o abandono pelas autoridades constituídas, os jardins viraram banheiro público. Já que a praça é pública e de responsabilidade da prefeitura, será que os porto-alegrenses poderão ver segurança efetiva no local, com a presença da Guarda Municipal durante as 24 horas? Atualmente, policiamento só existe quando grupos de manifestantes vêm à praça para protestar.
No entanto, pelo visto, a coisa só tende a piorar, pois as autoridades, prefeitura, Ministério Público e os órgãos de segurança pública não tomam nenhuma providência. Do jeito que vai, só mesmo uma paródia da letra da música do Ultraje a Rigor para realmente mostrar a situação: "Nós vamos invadir sua calçada/ agora se você vai se incomodar/ então é melhor se mudar/ não adianta nem nos desprezar/ se a gente acostumar a gente vai ficar/ a gente tá querendo variar/ e a sua calçada vem bem a calhar".

Fica o clamor da comunidade em prol do direito de ir e vir e de viver numa cidade limpa e ordeira. Senão, do jeito que as coisas estão, logo vão querer invadir nossas casas. E os impostos cada vez mais caros.

Um comentário:

  1. Se para as pessoas normais exite dificuldade em deslocamento em nossos passeios publicos, imaginem para os deficientes visuais e/ou cadeirante.

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