sábado, 20 de janeiro de 2018

Defesa da Democracia não é defesa de Lula

Defesa da Democracia não é defesa de Lula

Participei alguns dias atrás do programa “Esfera Pública”, na rádio guaíba, com o grande Juremir Machado e Taline Oppitz na sua condução. O debate tratou sobre o julgamento do ex-presidente Lula do dia 24, bem como a alusão de que “defender Lula é defender a Democracia e o Estado Democrático de Direito”, narrativa que parte da resolução do Diretório Nacional do PT, de 16 de dezembro de 2017. Permitam-se aqui discordar democraticamente com essa versão, desconsideradas as mentes sectárias que só aceitam a opinião que lhes interessa.
Para ingressar no assunto, buscando o exemplo conexo da Lei da ficha limpa, uma iniciativa popular, que mobilizou o Brasil inteiro na intenção de não permitir a eleição de candidatos que, entre outras razões, forem condenados por decisão de órgão colegiado (com mais de um juiz), mesmo que ainda exista a possibilidade de recurso. Preciso recordar que o PT apoiou tal Legislação quando a mesma tramitou no Congresso Nacional, e o mesmo Lula, na condição de Presidente, sancionou a Lei. Depois de divergências de integrantes do STF, em fevereiro de 2012 a Suprema Corte considerou a Lei constitucional e válida para as eleições.
No caso de Lula restar condenado no dia 24 estará inscrito na Ficha Limpa, porém, o PT irá questionar em agosto, se o Tribunal Superior Eleitoral negar o registro. Então, cabe a pergunta: a democracia que se quer defender é a democracia que não respeita as Leis, ou será aquela em que quando não concordamos “vai ter que matar gente”? Um partido popular não deveria respeitar Leis de clamor popular?

Reafirmo aqui meu total compromisso com a democracia, com as causas populares. Sou um ardoroso trabalhista de raiz, seguindo a risca os compromissos do campo progressista. Deixo aqui apenas uma reflexão sobre essa “nova modalidade de defesa da democracia”, com a qual não concordo, que não aceita o diálogo, não busca compreender as razões de quem não concorda e busca tão somente uma narrativa tendenciosamente uníssona.

Um comentário:

  1. Seu avô foi um sujeito, um brasileiro, um político, um presidente da República extraordinário. Riquíssimo, latifundiário, assim mesmo não abria mão de seus princípios humanitários. O episódio da sua juventude em que não respeitou as regras do Clube Social Elitista da sua São Borja, que não permitia negros em seus recintos, e entrou abraçado ao seu amigo - negro - em um baile de carnaval, em si já é marcador de seu humanismo e personalidade. O neto, que conheci em Taquari - e conversei rapidamente, quando de uma visita em campanha, com o senador Lasier, para o Senado, parece não ter saído muito diferente. Parabéns.
    Em tempo: só discordo dos elogios ao 'voz fina' e à 'voz grossa': são maus jornalista, jornalista engajado com o que há de pior na política. Certamente os dois discordam de ti, pois é Deus no céu e Lulla ( ladrão ) na terra.
    Abraços.

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