Artigo, Eduardo Afonso, O Globo - A Sapucaí vira palanque

"Nossos tribunais jamais permitiriam propaganda antecipada. O enredo sobre Lula é só um tributo desinteressado"

- Eduardo Afonso, arquiteto e escritor

Nos últimos carnavais, sem haver novas marchinhas (em extinção, como as cigarras, os tatuís e os liberais), divertido mesmo era acompanhar a problematização de como se fantasiar e do que cantar durante a folia. Seguindo o manual progressista e libertário, dress code e repertório tinham mais restrições que o Jardim Botânico de Curitiba.

Neste ano, o foco mudou. Quando, amanhã, a Escola Cívico-Militar de Samba Patriotas da Barra da Tijuca abrir alas na Sapucaí, um paradigma terá ido pelos ares. Nunca antes na História deste país (e olha que a História deste país teve coisa do arco da velha) uma campanha eleitoral terá sido tão antecipada - e de forma tão espetacular.

Poupando a grana do fundo partidário (afinal, há verba da Embratur, da Riotur e do governo estadual), a agremiação da Zona Sudoeste estreia no Grupo Especial com um enredo em louvor ao atual presidente - e candidato à reeleição - Jair Bolsonaro: "Dos arranha-céus de Camboriú, surge a segurança: Jair, o Messias do Brasil".

A bateria (antiaérea, só com caixa de guerra, sem instrumentos de matriz africana) sustentará a cadência do samba, que exalta a trajetória do mito "Da direita de Deus Pai, com a Abin e a Polícia Rodoviária Federal/À liderança mundial".

PT, PSOL e outros partidos da oposição acionaram o MP Eleitoral, alegando que o desfile "extrapola os limites de uma homenagem cultural e passa a funcionar como peça de pré-campanha". Não colou. OAB, ABI e Prerrô denunciaram que o refrão "A nossa porta-bandeira jamais será vermelha" evoca slogan governista e que os versos "Três oitão, três oitão/64 não foi golpe/foi Revolução" fazem menção inequívoca ao número do partido do presidente e ao carro-chefe-alegórico do seu governo, o programa "Minha Arma, Sua Vida". Em vão.

A ex-primeira-dama Rosângela Silva se mostrou indignada com a pretensão de Michelle Bolsonaro de desfilar no último carro:

- No último? Isso é um endosso ao sistema patriarcal, com a mulher se sujeitando a um lugar subalternizado.

Na dispersão, uma motociata...

(Desculpe, leitor: a coluna enveredou por um universo paralelo, onde aquele 1,8% decisivo de 2022 concluiu ser outro o mal menor. Os parágrafos acima foram uma distopia, um delírio. Até porque, com desfecho diverso naquela eleição - ou com êxito no 8 de Janeiro -, dificilmente 2026 seria um ano eleitoral. Voltemos à realidade.)

As instituições funcionam. Nossos tribunais jamais permitiriam propaganda antecipada. O enredo da Acadêmicos de Niterói ("Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil") é só um tributo desinteressado - que por acaso manterá o homenageado por 90 minutos, ao vivo, na televisão, e repercutirá um bom tempo na imprensa e nas redes sociais.

Não haverá pedido de voto. No trecho "Pro destino retirante te levei, Luiz Inácio/Por ironia, 13 noites, 13 dias", esse 13 não deve ter nada a ver com o número que aparecerá em outubro na urna eletrônica -13 é, na cultura popular, o número da sorte. Só isso.

Ao cantar que "Em Niterói, o amor venceu o medo", o samba não alude a nenhum slogan do governo. Só lembra que, com Lula lá na avenida, o amor venceu também a legislação, que proíbe até o uso de outdoors para exaltar qualidades pessoais de possíveis candidatos. Mas a Sapucaí não chega aos pés de um outdoor, não é? Então não me leve a mal: deixemos fazer a propaganda - precipitada e ilegal - que hoje é carnaval.

Evoé, TSE!

Link desta crônica:

https://oglobo.globo.com/opiniao/eduardo-affonso/coluna/2026/02/a-sapucai-vira-palanque.ghtml


Artigo, especial, Renato Sant'Ana - Sapucaí: ainda há o que falar

"Se Lula é operário, então Sílvio Santos era camelô" (anônimo).

 Os discípulos de Paul Joseph Goebbels superam o mestre. Quando ministro da propaganda de Hitler, Goebbels ensinou que repetir, repetir, repetir uma mentira faz que ela se estabeleça como verdade. Os seus seguidores vão além: eles repetem mentiras para que outra mentira, que não está em pauta, grude na cachola da massa. E foi o que fez o ofensivo enredo da rebaixada escola Acadêmicos de Niterói no carnaval do Rio, transformando o sambódromo em palanque eleitoral e fazendo a apologia de Lula.

O espetáculo de mau gosto e de estrito caráter panfletário, transmitido com exclusividade pela Globo (ora quem!), cuidou de varrer da memória do público o mensalão e o petrolão. Ajudou a sedimentar a "narrativa" de que a Lava Jato foi mera perseguição a "heróis do povo". Nem falar dos escândalos atuais! O lulopetismo está atolado até os eixos no roubo aos aposentados e a tropa do Lula faz o que pode para impedir as investigações da CPMI do INSS.

Há muito mais. Porém, o destaque aqui, espécie de resumo da ópera, é o que se deu na campanha eleitoral de 2022, quando a propaganda afirmou, na cara de pau, que Lula foi absolvido pelo papa, pela ONU e pelo STF: três grandes mentiras! A referência era às condenações de Lula em três instâncias judiciais por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O papa não tem jurisdição: pode absolver pecados, mas não pode interferir em processos judiciais de Estados estrangeiros. A ONU não tem, igualmente, jurisdição e não pode absolver quem quer que seja.

E quando ao STF? O carnavalesco da escola (quem cria todo o enredo) deu impulso a uma das mais descaradas fake news em circulação, aquela que fala de absolvição do Lula no STF. O Min. Luiz Fux, STF, disse: "Ninguém pode esquecer o que ocorreu no Brasil, no mensalão, na Lava

Jato, muito embora tenha havido uma anulação formal, mas aqueles 50 milhões [do Geddel] eram verdadeiros, não eram notas americanas falsificadas. O gerente que trabalhava na Petrobras devolveu US$ 98 milhões e confessou efetivamente que tinha assim agido."

Gilmar Mendes, STF, disse que a anulação de processos da Operação Lava Jato foi um "ato formal" e que erros processuais (alegados para anular) não apagam fatos revelados pela investigação. E fala em tom conclusivo: "Ninguém discute se houve ou não corrupção".

Eis a "anulação formal" de que falam Fux e Mendes: depois de cinco anos de Lava Jato, um ministro do STF, sozinho (ato monocrático) decidiu que os crimes investigados na Lava Jato não deveriam tramitar na 13ª vara de Curitiba. O que a polícia e o Ministério Público apuraram e o Judiciário julgou foi anulado para voltar à estaca zero. Não houve absolvição dos crimes! (Passados cinco anos, já nem era facultado alegar incompetência territorial do juízo, mas... Decisão judicial não se discute...)

Fux e Mendes, quisessem ou não, disseram isto: um golpe gráfico, isto é, um canetaço tirou Lula da condição de condenado por vários crimes: ele não foi absolvido, ele foi "descondenado".

Mas o carnavalesco que concebeu o enredo da Acadêmicos de Niterói pode, imitando Lula, dizer: "eu não sabia". Ele não leu livros como "O que Sei de Lula" (José Nêumanne Pinto) nem "Assassinato de Reputações - Um Crime de Estado" (Romeu Tuma Junior), os quais trazem uma avalanche de fatos que desmontam a ridícula farsa do samba enredo. Também não leu o livro da jornalista Malu Gaspar: "A organização: A Odebrecht e o esquema de corrupção que chocou o mundo", que desmascara quem diz que a Lava Jato existiu só para perseguir o lulopetismo. Ele não leu nada! Ou se leu, tanto pior! Porque, nessa hipótese, não terá sido honesto.

Como disse o jornalista Jorge Serrão, a Acadêmicos de Niterói "cometeu um estelionato carnavalesco". Pretextando fazer "arte", usou "dinheiro público" para fazer a apologia de um político que pretende reeleger-se. Um tal culto à personalidade do líder político assemelha-se ao que se via na Alemanha de Hitler, na China de Mao Tse-Tung, na Cuba de Fidel Castro e na União Soviética de Stalin: regimes totalitários nos quais, aliás, a violência estatal era método de governança.

E o povo? Ah, o povo da escola! Tangido como gado! Com aqueles artistas ignaros que participaram do desfile! As celebridades que os simples veem na TV ajudaram a compor um ambiente favorável à lavagem cerebral de quem pouco o nenhum acesso tem a informações - só a TV, todo dia a TV! Para os beneficiários da pantomima, o povo serve só para manter privilégios.

Na raiz da farsa está a presunção de impunidade. Hoje os discípulos de Goebbels estão à vontade para repetir, repetir, repetir a lenda do pobre operário, embora Lula tenha deixado de ser operário aos 26 anos para virar político. E o estelionato da escola será apagado da história: a campanha eleitoral antecipada, assim como o desrespeito à família e à religião e o flagrante "discurso de ódio" da escola (temas não tocados aqui) vão ficar impunes. Porque a impostura é a ordem atual.

 

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.


Análise - Não foi um ataque. Foi uma cirurgia

A hora em que Israel e EUA decapitaram o regime iraniano.  Meses de inteligência. Milhares de horas de vigilância e interceptação de sinais. Uma variável: o momento c erto.

Israel confirmou que os ataques tiveram como alvo uma reunião de altos funcionários iranianos — liderança política e militar reunida simultaneamente. 

Mais O ataque aconteceu às 8h da manhã, em plena luz do dia — uma ruptura deliberada. Todos os ataques israelenses anteriores ao Irã ocorreram à noite. Desta vez, de dia — porque o alvo não era infraestrutura. Era uma reunião.

Mídia iraniana, citando o Crescente Vermelho, reporta pelo menos 201 mortos em 24 províncias. 

💀 A CÚPULA FOI ELIMINADA:

🔴 Amir Nasirzadeh — Ministro da Defesa — morto

🔴 Mohammed Pakpour — Comandante da IRGC — morto

🔴 Ali Shamkhani — Conselheiro de Segurança Nacional — morto


⚠️ Khamenei e Pezeshkian foram alvos confirmados pela Reuters e NBC. Fumaça densa registrada próximo ao escritório de Khamenei em Teerã. Status ainda indefinido.

O que isso significa na prática: cada reunião futura da cúpula iraniana carregará uma pergunta permanente — Israel também sabe desta? Não é só destruição física. É a destruição da confiança institucional dentro do regime.

💥 O ERRO ESTRATÉGICO DO IRÃ:

O Irã revidou com uma onda sem precedentes de ataques em todo o Oriente Médio — explosões das praias de Dubai às ruas de Doha. Ao atacar seis países simultaneamente, Teerã cometeu um erro histórico: construiu a coalizão que não existia.

Catar, Jordânia, Emirados, Kuwait e Arábia Saudita ativaram defesas aéreas e condenaram duramente os ataques iranianos. 

A coalizão do Golfo contra o Irã foi forjada pelo próprio Irã — em uma manhã.

O Irã pode estar usando seu arsenal de mísseis agora porque teme perdê-lo — quando os EUA e Israel atacaram em junho de 2025, destruíram grande parte de seus mísseis balísticos. 

🌍 NOVO — CHANCELER IRANIANO QUER NEGOCIAR:

Em entrevista exclusiva à NBC News, o chanceler iraniano Araghchi disse que o Irã está "interessado em desescalada e disposto a conversar" — se os EUA pararem os ataques. euronews Sinal de que o regime, sob pressão máxima, busca uma saída. Washington ainda não respondeu

Opinião do editor - O site oficial do governo gaúcho faz propaganda pessoal descarada de Leite e Gabriel

O governador Eduardo Leite continua usando e abusando das publicações oficiais do governo do RS para se promover pessoalmente e também ao seu candidato e vice-governador Gabriel Souza, ambos candidatíssimos nas eleições de outubro. Na página principal do site oficial do próprio governo, Leite aparece com o nome e foto estampados nas oito reportagens e anúncios. Na metade delas, Souza faz companhia nas fotos e títulos.

O caso pode caracterizar campanha eleitoral antecipada, o que poderá resultar em inelegibilidade de ambos.

O princípio da impessoalidade, pontuado no artigo 37 da Constituição Federal, é letra morta para as publicações do governo. 

Também hoje, para efeito de comparação, o site oficial do governo federal, em meio a dezenas de postagens, publica apenas 2 fotos e chamadas com o nome de Lula.

Eduardo Leite renunciará ao cargo dentro de 33 dias e seu vice assumirá. Ambos serão candidatos.

CLIQUE AQUI para ver o site oficial do governo.
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