terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Artigo, Tito Guarniere - Pérolas jornalísticas

Artigo, Tito Guarniere - Pérolas jornalísticas

Acompanho, com certo método, o que escreve boa parte dos articulistas brasileiros. E todo o santo dia me surpreendo com as pérolas que alguns deles produzem em seus espaços.

Um dos meus favoritos – neste caso para me afastar o mais distante possível dos seus conceitos e cometimentos – é Vladimir Safatle (Folha de São Paulo). Safatle é professor da USP e petista, uma combinação de alta voltagem. Gosto mais quando ele escreve sobre filosofia, porque não me incomodo muito: simplesmente não entendo o que ele quer dizer. Safatle é daqueles que escrevem difícil, enviesado, cheio de empolações, para aparentar profundidade e erudição.

Em artigo recente ele partiu para uma tarefa ousada: defender o populismo. É preciso muito estofo para tal. E disto Safatle não dispõe. Para ele, entre outras virtudes, o populismo expressa a posição política dos que “insistirão na refundação institucional da democracia”. Populismo é “uma forma de integração das massas ao processo político da construção do ‘povo’ como agente” .

Deduz-se, então, que a democracia que aí está não serve, precisa ser refundada. Democracia, então, não é o pacto do povo, decidido em instância legítima, eleita pelo voto popular, deliberando sobre as funções do Estado, os limites do poder, os direitos humanos, individuais e sociais, o sistema tributário. Não é para ser reformada e aprimorada, no tempo histórico, no consenso possível dos concidadãos. Democracia é o que ele acha que é democracia. Ele quer uma democracia de encomenda, só para si, uma democracia para chamar de sua.

Já o venerando Jânio de Freitas está cada vez mais resoluto nos seus equívocos. Também da Folha, em artigo da semana passada, defende duas teorias exóticas. A primeira é a de que, sem Lula, as candidaturas de Jacques Wagner e Fernando Haddad, como alternativas, foram habilmente induzidas ao PT pelo campo conservador. E a outra, em que elogia José Pedro Stédile (MST) e Guilherme Boulos (Movimento dos Sem Teto), e defende que o PT e as esquerdas devam cogitar de tais nomes para disputar a eleição presidencial, se Lula for impedido.

Sempre achei que Jânio, a julgar pelo que costuma escrever, tem um certo enfado de viver no Brasil e de ser brasileiro. Mas um jornalista veterano, membro do Conselho Editorial da Folha, quando sugere Stédile ou Boulos para a presidência é porque não foi vacinado contra a febre amarela.

O caso de Laura Carvalho (FSP) é diferente. Trata-se de um talento precoce – é mais jovem - para escrever bobagens, daquelas que causam rubor na face de quem lê. A análise que ela faz do enredo da escola de samba Paraíso do Tuiuti, no Carnaval do Rio, é uma primorosa antologia de clichês ideológicos, um desfile de conceitos submarxistas, adquiridos na leitura superficial de orelhas de livro. Segundo ela, o enredo da Tuiuti é que vai pautar o debate eleitoral no Brasil. Nada de ficha limpa, Lava Jato, essas ninharias. No texto, usa cinco vezes as expressões “escravidão”, “elite escravagista”, “escravo”. Ou seja, no mundo em que Laura vive, o problema do Brasil é a persistência da escravidão.

titoguarniere@terra.com.br


Um comentário:

  1. Faltou ainda mencionar outro dinossauro da estupidez ideológica que aos sábados nos ilumina com sua verve esquedeopática delirante. Trata-se do André Singer. Não consigo entender como a Folha continua prestigiando esses "iluminados", quando os comentários de seus leitores, quase unanimemente, execram o obscurantismo das suas opiniões.

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