Artigo, especial - O Brasil leiloado pela tecnocracia

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano

Nos últimos dias tornou-se clara, a quem quiser ver, uma linha de pensamento da elite brasileira que denunciamos com frequência: a de que para o país "dar certo", ele precisa, antes, ser destruído. Não se trata de queimar bandeiras ou fazer protestos, mas da destruição fria e me tódica da nossa capacidade de ser uma nação forte. É a ideia de que a saúde finan ceira de um país se mede pela quantidade de sangue que ele consegue extrair de sua base produtiva para alimentar o topo da pirâmide rentista. C.S. Lewis, no livro Uma Força Medonha, disse que o trabalhador comum, o ho mem do povo, ignora a propaganda da imprensa porque sabe, instintivamente, que é tudo mentira; ele passou sua vida desconfiando dos poderosos, e por isso enxerga a realidade. É só o leitor educado, que consome informação em excesso vindas das fontes “oficiais” quem é enganado. Ele acredita em qualquer atrocida de se ela vier na linguagem liberal e assinada por um "especialista". É exatamente esse público que aplaude o desmonte nacional, convencidos de que juros estratosféricos não são uma transferência de renda de quem trabalha para quem especula, mas um "remédio necessário”. Eles acreditam que vender ativos estratégicos a preço de banana para estatais estrangeiras é "moderniza ção e eficiência", enquanto chamam qualquer tentativa de soberania nacional de "retrocesso" ou "esquerdismo". A financeirização da existência do brasileiro começa quando as instituições que deveriam zelar pelo desenvolvimento nacio nal foram capturadas por uma lógica onde o lucro imediato do mercado finan ceiro é a única bússola moral. Foi assim que se criou um sistema de incentivos perverso, onde quanto mais se as f ixia a indústria local, quanto mais se encarece o crédito para o brasileiro médio, há mais aplausos nos relatórios dos bancos de investimento. A "austeridade", nesse dicionário, nunca é o banco apertando o cinto, e sim o Estado parando de inves tir em infraestrutura, o hospital sem remédio, a escola caindo aos pedaços - tudo para garantir que o "superávit" consiga pagar os juros da dívida. Traduzindo: é o sacrifício do cidadão real, do brasileiro que trabalha e paga as contas, no altar das Instituições abstratas - dos grandes bancos, dos conselhos, das ONGs. Essas instituições olham para o Brasil e não veem uma cultura, um povo, uma história, veem apenas uma planilha mal ajustada. Eles odeiam o hábito, o costu me, a realidade orgânica do país porque, para eles, o Brasil ideal é aquele que não cresce e não incomoda, se limitando a exportar commodities e ler as notícias. E a verdadeira tragédia é ver a docilidade com que as outras classes aceitam isso. O jornalista econômico, o acadêmico, o deputado, repetem os mantras econômicos da Faria Lima, incapazes de questionar a quem interessa esse "equilíbrio" que só se atinge com a pobreza alheia. Eles acham que, defendendo esse capital vadio, serão aceitos no clube das nações civilizadas. O atraso do Brasil é um projeto de sucesso dessa gente. Há muito lucro em manter o país de joelhos enquanto nossas instituições servem para validar esse saque, ca muflando a pilhagem e nos mantendo como o "país do futuro" que nunca chega, porque o presente foi vendido para garantir o bônus de meia dúzia de burocratas. Cabe ao povo, aquele que Lewis dizia ser imune à propaganda, sentir na pele e no bolso que a conta não fecha e se colocar, em voto e ação, contra a tecnocracia que assalta o país. Até lá, resta saber o que sobrará dos escombros do país quando essa bolha de mentiras finalmente estourar

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