Artigo, Karina Michelin - O resort do Toffoli

Karina Michelin é jornalista e este artigo está no seu X de hoje.

O jornalista Sam Pancher e a repórter Valentina Moreira, do Metrópoles, foram ao norte do Paraná nos últimos dias para investigar os negócios da família do ministro Dias Toffoli na região do Resort Tayayá - um empreendimento de luxo que mistura marina, campo de golfe, condomínio fechado e até um cassino com máquinas de aposta.


O que encontraram no local é sugestivo: funcionários tratam Toffoli como o “dono de fato” do resort, apesar do imóvel ter sido vendido a um advogado ligado à J&F - o mesmo grupo que protagonizou alguns dos episódios mais controversos da Lava Jato e de acordos de delação que foram posteriormente anulados pelo STF.


Fontes locais afirmam que o ministro mantém casa no complexo e segue frequentando o local, mesmo após a transação da suposta venda. No papel, o negócio mudou de mãos; mas no cotidiano, nada parece ter mudado.


Relações de poder, favores cruzados, negócios privados e influência institucional - tudo sob o guarda-chuva de um Supremo que nos últimos anos concentrou poder político, derrubou investigações, reverteu sentenças e foi protagonista de crises que alteraram o equilíbrio entre os poderes e a morte da democracia. 


O silêncio institucional em torno do Resort Tayayá protege uma operação difícil de ignorar. Um fundo que comprou cerca de R$ 20 milhões em ações ligadas ao empreendimento associado à família de Dias Toffoli foi encerrado e, ao final, R$ 33 milhões apareceram numa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas.


Para quem acompanha o caso, isso parece apenas a ponta do iceberg. A dúvida que se impõe não é só financeira, é estrutural: por que tanto sigilo? E como esse circuito se conecta ao Banco Master, às relações com a J&F e às zonas de poder que envolvem Toffoli e Alexandre de Moraes?


O que está sendo protegido - e por quem?

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