quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Artigo, Astor Wartchow - Em defesa das autoridades

Artigo, Astor Wartchow - Em defesa das autoridades
Astor Wartchow
Advogado
          Faz algum tempo, escrevi em defesa dos árbitros de futebol criticando os arrogantes comentários dos analistas de arbitragem, bem acomodados nas cabines, com visão ampliada e apoiados em vários replays. Ao contrário do árbitro!
      Os árbitros também são vitimados pela deslealdade e irresponsabilidade dos jogadores, “artistas” da simulação e dissimulação. Sem esquecer os dirigentes de clubes que fazem insinuações “criminosas” e cogitam irresponsavelmente possíveis favorecimentos.  
      Agora, façamos uma analogia do futebol com os episódios político-partidários – leia-se Operação Lava-Jato. Seus críticos ironizam e denigrem juízes, procuradores e policiais federais.
      Propositalmente, ignoram o fato mais significativo das últimas décadas. Pela primeira vez se atinge – de modo contundente e sistêmico - o núcleo da corrupção nacional. Mais especificamente os setores empresariais e políticos que se valem da fragilidade do nosso sistema partidário e da exagerada intervenção estatal na economia, fato que coloca nas mãos dos governantes altíssimo poder de decisão e destinação de valores do orçamento nacional.
      Conseqüentemente, líderes político-partidários e empresários “amigos”, à direita e à esquerda do espectro ideológico, têm feito a festa, cuja conta final é o cidadão que paga.
      Entretanto, o que vemos? Um feroz ataque aos juízes, procuradores e policiais federais, acusando-os de parcialidade e abuso de poder.  Uma audaciosa e despudorada defesa de denunciados, acusados e processados.
      Pior: ignoram que são profissionais concursados, com longas e sólidas carreiras, sujeitos às suas corregedorias, tribunais superiores de recursos e processos administrativo-disciplinares. Estes servidores públicos têm famílias, amigos e colegas a quem também devem respeito e dignificação acerca de suas tarefas e obrigações institucionais.
      Parênteses: como alguém pode dizer que o triplex deveria estar formalmente no nome de Lula para caracterizar prova de que lhe era destinado? Não seria como exigir – como prova de recebimento de propina – a declaração no Imposto de Renda ou depósito em conta bancária? 
      Confesso minha perplexidade com a dimensão epidêmica da “doença” e inconsequente propagação do vírus da desconfiança institucional.

       

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