sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Artigo, Fabro Boaz Steibel, Zero Hora - Quem vai acessar o 5G?


Artigo, Fabro Boaz Steibel, Zero Hora - Quem vai acessar o 5G?

O 5g é a experiência ilimitada da rede de que precisamos. Mas, ou o 5g é para todos, ou teremos um brasil ainda mais desigual

Vem aí o novo padrão de internet móvel, o 5G. O ano previsto de lançamento é 2022, mas você deveria se perguntar desde já quem vai ter acesso a essa tecnologia primeiro. O 5G vai mudar sua experiência de vida, principalmente se você ainda está na escola.
Primeiro, imagine que seu celular não precisará jamais de wi-fi. Isso porque o smartphone, que é a principal porta de entrada para internet hoje, deixará de depender da internet fixa. A internet do seu plano móvel será usada para tudo.
Com isso, virá a segunda transformação: qualquer coisa, não só o seu celular, poderá ser conectada à rede. A internet das coisas, que hoje se resume a máquinas de cartão de crédito e a uns poucos relógios inteligentes, deve finalmente decolar.
Em um futuro próximo, qualquer objeto eletrônico poderá ter internet. O medidor de eletricidade da sua casa, sua geladeira ou sua fechadura. Nas lojas, os caixas devem desaparecer. Imagine um objeto que você gostaria que falasse, e você acaba de inventar um filão de mercado que o 5G pode vir a criar.
A experiência de cidade também vai mudar. Todas as sinaleiras, bueiros, vagas de estacionamento. Tudo que puder ser monitorado será. E, com esses objetos conectados, novas experiências de cidade virão (e novos desafios para proteger nossa privacidade também)
 O 5G é revolucionário, mas o acesso a essa internet incrível depende de quem você é. Se você é aluno ou professor de escola pública, se você vive afastado do centro ou se tem pouco dinheiro, o 5G será um sonho distante.
Alunos de escolas públicas brasileiras estão, em mais da metade dos casos, desconectados da internet. Enquanto a Estônia conectou todas as escolas com internet rápida em 1997 (ou seja, no século passado) e o Uruguai fez o mesmo recentemente, no Brasil, a grande maioria das escolas possui internet insuficiente para fins pedagógicos.
Sim, a maioria das escolas públicas brasileiras não possui internet suficiente para ensino. Muitas nem internet têm. É como se, enquanto alguns alunos vivessem na Dinamarca, outros estivessem na Eritreia ou no Timor Leste, onde menos de 10% das pessoas têm acesso à internet.
O Programa Banda Larga nas Escolas (PBLE) conseguiu conectar 60 mil escolas. Mas a velocidade meta entregue pelo programa é de míseros 2 mega. Isso por escola (não por aluno). A reforma da Lei Geral de Telecomunicações e do Fust, o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, beira o redesenho do nosso modelo de conectividade. Mas a reforma não deixa claro se as escolas vão ter prioridade para acesso à internet ou não.
O 5G é a experiência de internet ilimitada de que precisamos. 
O 5G deve ser celebrado. Mas temos um problema a resolver: 
ou o 5G é para todos, ou teremos em um Brasil ainda mais desigual. Para reverter isso, já que vamos conectar todo mundo, por que não começar pela escola?


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