sábado, 16 de novembro de 2019

Artigo, Guilherme Socias Villela, Jornal do Comércio - Os oráculos de uma nação dividida


         No Brasil hoje se vive uma nação dividida. Há os são contra e os que são a favor - a qualquer coisa que apareça. Há os que querem progredir, mostrar porque vieram ao mundo - vencendo obstáculos que se lhe apresentam no dia a dia. Há os que sofrem adversidades. Há os que desfrutam a vida, às vezes parecendo ter vindo ao mundo à passeio. E há os que mergulham no nada - não notam ninguém. Nem são glorificados.
           Tarrafeando sobre o mundo brasileiro de hoje, todos, com poucas exceções, quando tudo fica difícil nem mais apelam para os deuses.  Invocam para algo chamado Estado (no campo doutrinário, a instituição das instituições - segundo os princípios da ciência do Direito). No caso do Brasil, um Estado que, segundo enraizada crença, que põe e dispõe, a tudo provê - tal quais os deuses o fariam, pacientes com as fraquezas humanas. Neste sentido, lembre-se o caso ocorrido na década de 60 do século passado, quando enchentes no Sul foram simultâneas às secas do Nordeste brasileiros. Os irmãos nordestinos esperaram uma atitude do Estado e de seus representantes políticos. Mas, tudo ficou parado. (A exceção ocorreu quando alguém disse: “vou começar tudo de novo!”. Era uma agricultora de Santa Catarina!)
            Dito isso, diga-se que houve um momento em que todos acreditavam no Estado. Confiavam, assim, nos critérios patrióticos da alta corte de justiça brasileira. (“Ainda juízes em Berlim!”)
            Recentemente a Corte foi testada quando dos notáveis escândalos ocorridos na administração pública e na política brasileiras. Desde então se observa uma nação dividida e frustrada.
      Crises políticas. Poder moderador desnorteado. A Corte nem leva em conta a riqueza dos ensinamentos do passado, e.g., de Antero de Quental (Conferência do Casino, Lisboa, Portugal, 1871), quando alertou para as características sociológicas dos povos ibéricos e do além-mar.
            À nação frustrada só lhe restam à impunidade de conhecidos crimes na vida política e social brasileira. Contudo seus oráculos para lá foram levadas por suas condições de reputações Intelectuais e ilibadas. Mesmo assim, em sua maioria, eles vêm protagonizando equívocos e vaidades. Acolhem, com naturalidade, o fisiologismo, o patrimonialismo e a corrupção - como se estes crimes fossem da natureza do povo brasileiro, tal qual a lenda do escorpião e o sapo!   
            Enquanto isso, o Olimpo permanece majestoso. Helênico. À espera que os seus inquilinos, quem sabe, o deixem. Desaparecendo. Mergulhando no nada.


- Economista. Ex-prefeito de Porto Alegre.


  



2 comentários:

  1. Parabéns Dr Villela, elegante e cristalino como sempre.

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  2. A "TRAMPA" POLITICA

    PARA PILOTAR UM AVIÃO,FAZER UMA CIRURGIA,DIRIGIR UMA EMPRESA, SOMENTE PESSOAS HABILITADAS E COM CONHECIMNENTOS COMPROVADOS

    INFELIZMENTE PARA EXERCER CARGO PUBLICO GERIR EMPRESA PUBLICA QUALQUER TOFFOLI OU GILMAR,OU QUALQUER DA SILVA . E INACREDITAVELMENTE ATÉ FICHA SUJA E LADRÃO CONFESSO

    EIS A RAIZ DOS PROBLEMAS TODOS

    ACIMA DA VONTADE POPULAR DEVERIAM ESTAR AS CAPACIDADES NECESSARIAS, HONESTIDADE E HONORABILIDADE COMPROVADAS.

    EMPRESAS PRIVADAS DE SUCESSO JAMAIS FAZEM UMA "ELEIÇÃO DEMOCRATICA PARA A DIRETORIA"

    FICO PERPLEXO AO VER O CONTRARIO, OS LADRÕES JULGADOS POR JUIZES NOMEADOS POR ELES MESMOS .

    ISSO NÃO TERMINA BEM, VEJAM O MUNDO A VOLTA...

    APROVEITO E CUMPRIMENTO VILELA PELA SUA GESTÃO EXEMPLAR EM POA, EM ESPECIAL OBRAS DO MARINHA DO BRASIL DENTRE OUTRAS.

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