Miles Yu, ex-conselheiro do Departamento de Estado dos EUA e especialista em China, argumenta, hoje, em artigo especial que o editor acaba de ler no The Washington Post, que a "enorme aposta" do Partido Comunista Chinês (PCC) no Irã como um pilar de sua estratégia no Oriente Médio fracassou, tornando-se uma aliança "paper tiger" (tigre de papel). Em sua análise publicada no The Washington Post, Yu aponta que, apesar de promessas de investimentos massivos e alinhamento ideológico anti-EUA, a relação não entregou os resultados estratégicos esperados por Pequim.
Os principais pontos do fracasso da aposta chinesa, segundo a perspectiva de Miles Yu e evidências recentes, incluem:
Promessas Econômicas não Cumpridas: O acordo de cooperação de 25 anos, assinado em 2021, previa até US$ 400 bilhões em investimentos chineses no Irã. No entanto, na prática, apenas uma fração mínima (estimada em cerca de 1% a 2% a 3% do prometido) chegou ao país entre 2021 e 2023.
Riscos Financeiros e Sanções: Empresas estatais chinesas, com medo de sanções secundárias dos EUA, hesitaram em investir em projetos de infraestrutura de grande escala no Irã, abandonando projetos como o desenvolvimento do campo de gás South Pars.
Irã como "Aliado Vunerável": Em vez de um parceiro estratégico forte, o Irã demonstrou ser um regime instável, com má gestão econômica e corrupção, o que levou a China a ver os protestos internos no Irã como um conto de advertência.
Fracasso da Defesa: Sistemas militares chineses (como o HQ-9B) sob escrutínio no Irã mostraram desempenho abaixo do esperado em repelir ataques ocidentais/israelenses.
Mudança de Foco na Região: A China tem preferido investir em países mais estáveis e com melhores retornos no Oriente Médio, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, em detrimento da parceria focada no Irã.
O Grande Equilíbrio: A estratégia de Pequim sofreu com a inconsistência de querer influenciar o Oriente Médio mantendo boas relações com todos os atores, inclusive os rivais do Irã, o que limita o suporte direto a Teerã.
Em suma, Miles Yu conclui que a tentativa da China de transformar o Irã em um "keystone" (peça central) de sua política externa fracassou, deixando Pequim com um parceiro problemático e sem os benefícios econômicos ou estratégicos prometidos.