Artigo, Felipe Vieira - Chega de feminicídio
Título original - 8 de março: por que o Dia Internacional da Mulher ainda é absolutamente necessário em 2026; por Felipe Vieira
Há quem pergunte, às vezes com ironia, às vezes com cansaço: ainda precisamos do Dia Internacional da Mulher?
Basta olhar para o mundo e para o Brasil para perceber que sim.
Em pleno 2026, mulheres continuam lutando por algo que deveria ser elementar: viver com dignidade, liberdade e segurança.
No Afeganistão, meninas foram proibidas de frequentar a escola além dos primeiros anos de ensino. Mulheres não podem trabalhar em diversos setores nem circular livremente sem a presença de um homem da família. No Irã, jovens foram presas, espancadas e algumas morreram depois de protestar contra leis que controlam seus corpos e sua liberdade.
Em várias regiões do planeta, casar ainda significa abandonar estudos, perder autonomia e aceitar uma vida decidida por outros. Em muitos lugares, a luta das mulheres ainda é pelo direito mais básico de todos: existir com liberdade.
Mas não é preciso atravessar oceanos para entender por que o 8 de março continua necessário.
Basta olhar para o Brasil. Aqui, as mulheres estudam mais, se qualificam mais e, ainda assim, continuam enfrentando barreiras invisíveis. Dados do IBGE mostram que elas recebem em média cerca de 20% a 22% menos que homens, mesmo quando exercem funções semelhantes. A diferença cresce quando se observam cargos de liderança, diretorias e conselhos empresariais.
O paradoxo é evidente. As mulheres já são maioria entre os formados no ensino superior no país. Mesmo assim, continuam ganhando menos.
E há um peso adicional que raramente aparece nas estatísticas: a dupla jornada.
Milhões de mulheres passam o dia inteiro trabalhando fora de casa e, ao voltar, continuam trabalhando. Cuidam dos filhos, organizam a rotina familiar, administram a casa, acompanham tarefas escolares, cuidam de pais idosos.
É um trabalho essencial para a sociedade, mas frequentemente invisível.
Pense em uma enfermeira que saiu de casa antes do sol nascer, passou doze horas em um hospital e ainda volta para casa para ajudar o filho com a lição de matemática.
Pense em uma professora que recebe pouco, mas continua acreditando que educar é transformar o futuro.
Pense em uma mãe que criou os filhos sozinha depois de ter coragem de sair de um relacionamento violento.
São histórias comuns. E exatamente por isso, extraordinárias.
Porque a desigualdade não se limita à economia. Ela também aparece de forma brutal dentro das casas.
Todos os dias, milhares de mulheres brasileiras vivem sob ameaça dentro do próprio lar. A violência doméstica muitas vezes começa silenciosa. Começa com controle sobre amizades, sobre roupas, sobre o telefone, sobre a liberdade.
Depois vêm as humilhações, os gritos, as ameaças. E, em alguns casos, vêm as agressões.
Foi justamente para enfrentar essa realidade que o Brasil criou, em 2006, uma das legislações mais importantes do mundo no combate à violência contra a mulher. A Lei Maria da Penha nasceu da luta de Maria da Penha Maia Fernandes, que sofreu duas tentativas de assassinato do próprio marido e passou anos buscando justiça.
A lei mudou a forma como o Estado brasileiro trata a violência doméstica. Criou medidas protetivas, ampliou as possibilidades de denúncia, fortaleceu a atuação da polícia e do Judiciário e ajudou a tirar milhões de mulheres do silêncio.
Mesmo assim, a violência continua sendo uma das feridas mais profundas da sociedade brasileira.
Muitas mulheres passam anos tentando proteger os filhos, esperando que o agressor mude, acreditando em promessas de arrependimento.
Algumas conseguem romper esse ciclo. Outras não conseguem sair a tempo.
É nesse ponto que aparece a palavra mais brutal de todas: feminicídio.
No Brasil, centenas de mulheres são assassinadas todos os anos simplesmente por serem mulheres. Em grande parte dos casos, o agressor é alguém que um dia disse amá-las: companheiros, maridos, ex-companheiros. Muitas dessas mortes acontecem dentro de casa, o lugar que deveria ser o mais seguro do mundo.
Por trás de cada número existe uma vida interrompida. Um projeto que não chegou ao futuro. Filhos que crescem sem mãe.
É por isso que o Dia Internacional da Mulher não pode ser reduzido a flores, frases bonitas ou campanhas publicitárias.
Ele existe para lembrar que direitos não surgem espontaneamente. Eles são conquistados, defendidos e, muitas vezes, precisam ser reconquistados.
Mas também é um dia para reconhecer algo fundamental. Apesar de todas as barreiras, as mulheres continuam avançando.
Elas lideram pesquisas científicas, governam cidades, empreendem, educam gerações, transformam comunidades. Em cada geração ampliam um pouco mais o espaço da liberdade.
Celebrar o 8 de março não é apenas comemorar. É reconhecer uma história de resistência que atravessa séculos. O Dia Internacional da Mulher não existe para lembrar fragilidade. Ele existe para lembrar força.
Enquanto houver desigualdade salarial, violência dentro de casa, barreiras silenciosas no mercado de trabalho e mulheres lutando pelo direito de estudar, trabalhar e viver com liberdade, o 8 de março continuará sendo necessário.
O verdadeiro sinal de progresso será o dia em que essa data deixe de ser necessária e aí sim será de comemoração e agradecimento a todas e todos que vieram antes e ajudaram a construir essa nova realidade.
Mas, olhando para o Brasil e o mundo de 2026, infelizmente ainda estamos longe de chegar a esse dia.
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CPI do Furto de Fios: reunião de instalação e eleição de vice-presidente e relator acontece na segunda-feira
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Câmara Municipal para investigar furtos e receptação de fios, cabos e materiais metálicos em Porto Alegre realiza na próxima segunda-feira (9), às 10h, sua primeira reunião de trabalho. No encontro que marcará a instalação da CPI, os vereadores que integram o colegiado também vão eleger o vice-presidente e o relator, cargos que terão papel central na condução das diligências e da linha de investigação ao longo dos próximos meses.
Presidente da CPI, o vereador Ramiro Rosário (NOVO) afirma que a comissão foi criada diante da escalada de um crime que deixou de representar apenas dano ao patrimônio e passou a atingir o funcionamento da cidade. “O furto de fios hoje afeta diretamente a vida da população. Já tivemos apagões em áreas públicas, prejuízos ao comércio e até interrupção no abastecimento de água. Precisamos de tolerância zero com essa rede criminosa que compromete serviços essenciais”, afirmou.
A gravidade do problema aparece em episódios concretos registrados na Capital. Um dos casos citados no requerimento que deu origem à CPI foi o furto de cabos na Estação de Bombeamento de Água Tratada Padre Cacique, que deixou cerca de 85 mil pessoas sem água em seis bairros de Porto Alegre. Em outras regiões da cidade, a retirada de fios e materiais metálicos também já comprometeu a iluminação pública, a sinalização de trânsito e estruturas urbanas fundamentais, afetando a mobilidade, a segurança e a rotina de moradores e trabalhadores.
Além dos transtornos imediatos, esse tipo de crime gera um efeito em cadeia que amplia o prejuízo coletivo. Quando cabos são levados, o dano não fica restrito ao valor do material furtado, existem custos de reposição, interrupção de serviços e mobilização de equipes técnicas para restabelecer o funcionamento da infraestrutura urbana. “A CPI vai investigar as ocorrências, ouvir autoridades e analisar como outras capitais enfrentaram esse problema. A partir desse diagnóstico, a ideia é propor medidas de endurecimento da legislação para esse tipo de crime. Precisamos combater essa rede criminosa que vai do usuário de crack aos ferros-velhos que receptam o material furtado”, explicou Ramiro Rosário.
Com prazo inicial de 120 dias, prorrogável por mais 60, a comissão deverá ouvir representantes de órgãos de segurança, concessionárias, especialistas e demais setores envolvidos no tema. A eleição do vice-presidente e do relator na reunião de segunda-feira marcará oficialmente o início dos trabalhos da CPI, que pretende dimensionar a extensão desse tipo de crime e apontar caminhos para reduzir um problema que hoje já interfere diretamente na prestação de serviços essenciais da cid
Artigo, especial - A direita que a esquerda ama
Este artigo é do Observatório Brasil Soberano
Para discutir a política do dia é preciso recorrer ao vocabulário corrente e consensual, ou o discurso corre o risco de não ser público, não ter adesão e deixar de ser propria mente político. Descrever quem é o inimigo público e explicar o porquê exige, intrin secamente, que isso seja feito em linguagem corrente, no mesmo nível do público que há de receber o discurso. Uma direita que esteja presa às discussões mesquinhas sobre quem é amigo ou inimigo da moralidade, dos bons princípios e de qualquer outra embalagem pro vável para a construção de uma boa aparência diante do público está fadada a utilizar as ferramentas linguísticas e as imagens imaginativas criadas por seu prin cipal inimigo: a grande mídia institucionalizada. A grande mídia oficializou um conjunto de jargões e expressões públicas que não têm qualquer relação com a realidade nacional, fazendo refém qualquer movimen to político que queira ser superficial, eleitoreiro e popular. É notável a voracidade com que a mídia oficial cobra moderação de todos os agentes da direita. Ora, toda “moderação” é a escolha de equilibrar-se entre dois extremos, tendo a finalidade de preservar uma postura prudente; mas que prudência está sendo exigida aqui? Qual é o extremo que retira os quadros da direita do caminho de de fesa da justiça ou da liberdade? Pedidos de moderação, acusações de extremismo e radicalismo não passam de reação natural da grande mídia, que está tentando adequar os agentes públicos ao seu vocabulário restritivo, castrador e delirante. Mas, para além da reação natural da mídia institucionalizada e financiada pelos donos do poder, existe a assustadora reação da nascente direita brasileira, que se apressou em se adequar ao vocabulário ginasial e pavloviano da grande mídia. Ora, quem cogita utilizar termos tão baixos e vulgares para descrever os fenômenos po líticos e sociais atesta sua incapacidade de articular — ou de contribuir para — um projeto de reconstrução nacional. Os homens públicos que estão presos nesse vocabulário midiático, ou mesmo uti lizando expressões dignas de novela mexicana — quem julga que ações de agente A ou B são motivadas por vingança pessoal, inveja ou qualquer outro sentimento baixo, sem relacionar as ações de um agente público com a aniquilação de inimigos ou com o acúmulo de poder —, estão usando a camisa de força criada pela grande mídia e não podem ser uma oposição efetiva ao PT. É possível, usando esse vocabulário e essas categorias, formular políticas e discur sos que combatam o projeto de governo mundial? Ou mesmo qualquer outra das agendas que hoje em dia mantêm o Brasil subdesenvolvido? Jamais. Mas essa não é a grande preocupação dos quadros da direita permitida que está se ar ticulando para tentar substituir o bolsonarismo; abusam do principal traço mental do homem medíocre: a convicção inabalável de que tudo o que vá contra as crenças habi tuais do seu grupo de referência é loucura, sonho, infantilidade ou teoria da conspiração. Nesse caso, a nova direita permitida que ascende ao debate público não tem outro papel senão devolver à esquerda petista e ao complexo de ONGs o antigo monopólio da guerra ideológica. Uma direita presa aos jargões da grande mídia e intelectualmente castrada é o inimigo perfeito para a esquerda nacional, uma vez que, combatendo um inimigo inofensivo, pode recuperar seu prestígio derrotando um adversário inapto e sem agenda de longo prazo
Artigo, Facundo Cerúleo, especial - De olho no VAR
Uma canção de Toquinho e Carlinhos Vergueiro (de gosto discutível) diz: "Fique de olho no apito/ Que o jogo é na raça/ E uma luta se ganha no grito." Está desatualizada! Agora é "fique de olho no VAR!"
Charles quer estudar jornalismo e trabalhar com esportes. E já se exercita. fez uma experiência. Mandou seu irmão dar um tapinha amoroso no rosto da mãe, enquanto ele filmava a cena. Buscou um ângulo em que a expressão debochada do irmão não aparecia, mas apenas a mãe, que, com dotes de atriz, manteve uma cara séria. A imagem parada flagrava uma agressão! A mão de um homem na cara de uma mulher!
"Estou provando que o VAR é idiota", disse o futuro repórter. Exagerou. Mas lembrou um erro comum: quantas vezes vimos decisões decretadas pelo VAR baseadas em imagens paradas? O árbitro, que vê o lance de perto, pode avaliar aspectos que as câmeras não registram. Parece óbvio! Mas, do jeito que estão as coisas, não é dele a última palavra.
A coluna já abordou o que Arnaldo Cezar Coelho, um dos maiores árbitros que o Brasil já teve, falou em entrevista. Ele deu um exemplo: o atleta salta e, de cabeça, faz o gol. E só depois de saltar e marcar, ele se apoia no adversário. "Não é falta!", esbravejou Arnaldo. O árbitro, a poucos passos do lance, pode bem avaliar. Aí o VAR, "procurando pelo em ovo" (como diz Arnaldo), pega a imagem da mão do atacante no adversário. Usa a imagem parada e diz que é falta. Ou seja, a imagem parada, equivalente ao que o adolescente Charles fez, prevalece sobre a percepção do árbitro de campo.
Em 15/02/2025, o Grêmio enfrentou o Ipiranga pelo Gauchão. E viu o VAR expulsar o seu lateral João Lucas. O atleta foi prensado por dois adversários, desequilibrou-se e, caindo, teve o ato reflexo de usar os braços para não bater com a cabeça no chão. Mas um dos braços atingiu o peito de um dos adversários. Foi o que o árbitro Francisco Soares Dias viu. Foi o que todo mundo viu, inclusive o jornalista Diori Vasconcelos, que fez curso
de arbitragem para opinar nesses casos. A não ser algum torcedor emocional, não vi ninguém dizer o contrário. Só o VAR, olhando a imagem parada, entendeu que o gesto de autodefesa foi uma agressão a ser punida com a expulsão. E o atleta foi expulso!
Os árbitros que correm em campo, que, se não têm preparo físico, caem fora, estão expostos, aparecem na TV, são observados e avaliados (além de terem a mãe xingada...): a sua reputação profissional é um bem pelo qual devem zelar, o que ajuda a conter-lhes o ego. Entretanto, em termos concretos, sua autoridade ficou relativizada com o surgimento do VAR, que, interpretando imagens, acaba tendo a última palavra. É um problema!
Foi Arnaldo que disse haver uma empresa internacional que faz cursos a rodo para "árbitro de vídeo". Significa que qualquer fulano sedentário pode fazer o curso e "apitar" no VAR. E ter mais autoridade que aquele que teve um preparo muito mais exigente.
Há questões que merecem um exame detido. Quem não tem a experiência de apitar em campo terá background suficiente para atuar no VAR? Quem está mais exposto a condicionamentos: o que apita ou o que opera na cabine do VAR? Poder fundamentar decisões em imagens paradas não abrirá uma porta para decisões tendenciosas e até para ilícitos?
Não tenho respostas definitivas. Mas uma proibição parece necessária: o VAR não pode cometer a cretinice de jogar no telão do estádio a imagem parada e constranger o árbitro de campo. Ou não acontece?
Quem atua no VAR é que deveria estar mais preocupado com regras claras e até com um protocolo de transparência. Mostrar a gravação do que se fala na cabine do VAR não basta. De que adianta ouvir alegações baseadas numa imagem parada? Não se trata de lançar suspeitas sobre ninguém, mas de raciocínar em abstrato. Hoje, há margem a justificações falaciosas para decisões erradas que determinam resultados. Na era da jogatina e da esperteza, isso tem de ser tratado com calma e muito critério.
Para terminar... Lembram o Gre-Nal de 21/09/2025 (aquele em que o Inter foi agraciado com três pênaltis)? Fazemos votos de que os erros daquele jogo não se repitam neste domingo. E que vença o melhor!
Falta diesel no RS
A Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) alertou para o risco de perda da safra de verão (soja e arroz) devido à grave escassez de óleo diesel em propriedades rurais no RS. Produtores relatam atrasos, cancelamentos de entregas e aumentos de preço superiores a R$ 1,20 por litro. A entidade acionou o governo estadual e busca soluções urgentes para o abastecimento, essencial para a colheita em pleno andamento.
Pontos principais sobre a crise de diesel no RS (Março 2026):
Impacto no Campo: A falta de combustível atinge o auge da colheita, paralisando máquinas e ameaçando a produção, especialmente de arroz e soja, segundo o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes.
Problemas no Abastecimento: Relatos apontam dificuldades dos TRRs (Transportador Revendedor Retalhista) em conseguir diesel com as distribuidoras, o que impede a entrega nas fazendas.
Aumento de Preços: Além da escassez, houve um aumento no preço, com relatos de acréscimo de mais de R$ 1,20 por litro.
Ações da Farsul: A Federação acionou o governo do estado, o Ministério de Minas e Energia e seu departamento jurídico para tentar normalizar a entrega de combustível.
Situação dos Postos: Postos com convênios diretos com distribuidoras ainda estão abastecidos, mas há um cenário de "fornecimento estressado".
Notas trocadas
NOTA DA PF
https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/noticias/2026/03/nota-a-imprensa-1
TOFFOLI NEGA
https://static.poder360.com.br/2026/03/nota-toffoli-operacao-compliance-6.mar_.2026.pdf