A pesquisa mostra estabilidade geral no quadro de endividamento e inadimplência, mas comprometimento da renda com dívidas alcança o maior percentual desde novembro de 2019
A Fecomércio-RS divulgou os resultados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), da CNC, referentes a dezembro de 2025 e os dados indicam que 85,0% das famílias estavam endividadas, percentual estável em relação a novembro (85,0%) e inferior ao observado no mesmo mês de 2024 (90,8%).
Os dados foram coletados em Porto Alegre nos últimos dez dias de novembro.
A pesquisa considera apenas dívidas ligadas à tomada de crédito — como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos — não incluindo contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia.
O levantamento indica que o percentual de famílias com contas em atraso foi de 25,4% em dezembro de 2025, muito semelhante ao verificado em nov/25 (25,5%). Quanto à inadimplência por faixa de renda, observa-se que a maior dificuldade de manter as contas em dia segue concentrada entre as famílias com renda de até 10 salários-mínimos, cujo percentual passou de 31,5% em novembro de 2025 para 31,6% em dezembro de 2025, mas bastante abaixo do observado em dezembro de 2024 (39,9%). Já entre as famílias com renda superior a 10 salários-mínimos, o indicador apresentou segundo recuo consecutivo, diminuindo de 5,7% para 4,7%, também inferior ao registrado em dezembro de 2024 (14,2%). O percentual de famílias que declararam não ter condições de regularizar nenhuma parte das dívidas em atraso, apesar de ter apresentado uma variação de apenas -0,1 p.p., ao recuar para 1,2%, alcançou o menor patamar da série histórica.
Quando se trata de endividamento e inadimplência, um dos indicadores mais relevantes de ser observado é a parcela de renda comprometida com dívidas. Esse indicador tem apresentado altas marginais consecutivas a 14 meses, fazendo com que o mesmo alcance o maior valor (29,5%) desde outubro de 2019. Para o grupo de famílias com renda de até 10 salários-mínimos, o comprometimento da renda está em 29,9% em dezembro de 2025, enquanto para a faixa de maior renda está em 27,6%. Esse comportamento altista do comprometimento da renda com dívidas é compatível com outros indicadores que, diferentemente dos da PEIC que toma por base a percepção dos indivíduos, mede de fato valores a partir de dados econômico-financeiros.
“Embora os dados da PEIC não indiquem um quadro de endividamento descontrolado, a parcela da renda comprometida com dívidas avançou para 29,5%, o maior percentual registrado em 2025 e o maior desde novembro de 2019. Essa conjuntura, além de aumentar riscos de inadimplência, limita a capacidade de consumo, especialmente daquelas famílias com orçamentos mais limitados, com impactos relevantes na dinâmica do comércio e dos serviços voltados às famílias”, avaliou Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP. Confira os dados completos e a análise econômica.
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