Jerônimo Goergen, advogado, ex-deputado federal, é presidente do Instituto Liberdade Econômica (ILE)
A política brasileira segue cada vez mais desconectada do mundo real. Enquanto a população enfrenta desafios concretos — como renda, emprego, produção e qualidade de vida — grande parte do debate político permanece concentrada em alianças construídas a partir da ocupação de cargos, da divisão de espaços de poder e da lógica do “quem fica com o quê”.
Em vez de coalizões baseadas em ideias, propostas e projetos de país, ainda predomina a formação de arranjos políticos sustentados por interesses imediatos. Discute-se ministérios, secretarias, presidências de estatais e estruturas de poder, mas pouco se debate sobre soluções efetivas para os problemas que afetam o dia a dia da sociedade.
Essa prática esvazia o papel da política como instrumento de transformação. Quando alianças são formadas sem base programática, o resultado é um governo sem rumo claro, com decisões fragmentadas, contraditórias e, muitas vezes, incapazes de entregar resultados concretos. A política passa a funcionar para si mesma, enquanto o país real segue esperando respostas.
O mundo real exige outra postura. Exige liderança, coragem para enfrentar problemas estruturais e compromisso com soluções que façam sentido fora dos gabinetes. A sociedade não cobra unanimidade, mas coerência. Não espera promessas genéricas, mas direção, prioridades e responsabilidade.
O Brasil precisa urgentemente migrar da política dos cargos para a política das ideias. Menos negociação por espaços e mais debate sobre caminhos. Menos acordos de ocasião e mais compromisso com teses que apontem soluções reais para o desenvolvimento, a geração de oportunidades e o futuro do país.
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