Artigo, Políbio F Braga - Trump, a energia eólica e a disputa entre o passado fóssil e o futuro renovável

Artigo, Políbio F Braga - Trump, a energia eólica e a disputa entre o passado fóssil e o futuro renovável

*Jornalista e editor do portal Conecta Energia e especialista do setor de energia e telecom.

As críticas recorrentes do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às energias renováveis, especialmente à energia eólica, revelam muito mais do que uma simples discordância técnica. Elas expõem uma disputa profunda entre dois modelos de desenvolvimento: um ancorado em combustíveis fósseis, cada vez mais associado a riscos climáticos e instabilidade geopolítica, e outro baseado em inovação, energia limpa e sustentabilidade de longo prazo.

Desde sua retomada de protagonismo político, Trump tem adotado uma agenda explícita de fortalecimento do carvão e do petróleo, flexibilizando regulações ambientais e restringindo o avanço das fontes renováveis. Essa postura não ocorre por acaso. Parte significativa de seus principais financiadores e aliados políticos está diretamente ligada às indústrias fósseis, que historicamente investem bilhões em lobby e financiamento eleitoral nos Estados Unidos.

O discurso crítico às renováveis ignora não apenas o consenso científico sobre a crise climática, mas também a transformação em curso no mercado energético global. Enquanto setores políticos insistem em proteger modelos do passado, o mundo acelera na construção de uma nova matriz baseada em fontes limpas.

Nesse cenário, a China surge como o exemplo mais emblemático.

Em recentes declarações, Trump afirmou que “não há turbinas eólicas na China” e ironizou o papel do país na indústria eólica. Os dados desmentem de forma contundente essa narrativa. A China é hoje a maior potência eólica do planeta, com mais de 441 gigawatts de capacidade instalada, quase três vezes mais do que o segundo colocado no ranking mundial. Além disso, lidera a fabricação e exportação de turbinas, pás, torres e componentes estratégicos, consolidando uma cadeia industrial robusta e altamente competitiva.

Mais do que volume, trata-se de visão estratégica. A energia eólica tornou-se política de Estado na China, impulsionando inovação tecnológica, geração de empregos e liderança industrial em um dos setores mais promissores do século XXI. Enquanto isso, parte da liderança política ocidental ainda tenta preservar um modelo energético baseado em recursos finitos, altamente poluentes e crescentemente vulneráveis a choques de preços e conflitos internacionais.

Os argumentos ambientais contrários à energia eólica também se mostram frágeis diante das evidências. A fonte não emite gases de efeito estufa, não produz resíduos tóxicos e apresenta impactos ambientais significativamente menores do que a exploração de petróleo e carvão. Estudos indicam que, com planejamento adequado e tecnologias de mitigação, os riscos à fauna podem ser amplamente reduzidos, algo que não se aplica às marés negras, vazamentos e contaminações associadas aos combustíveis fósseis.

A oposição às renováveis, portanto, não se sustenta em ciência nem em interesses coletivos de longo prazo. Sustenta-se em interesses econômicos imediatos e em uma lógica política que prioriza retornos de curto prazo, mesmo diante de um cenário climático cada vez mais crítico.

E enquanto esse debate político se prolonga, a realidade impõe sinais cada vez mais difíceis de ignorar.

Eventos extremos estão se multiplicando e chegando antes do que previam os modelos climáticos. Cientistas soam alertas cada vez mais urgentes. A população mundial assiste, com perplexidade, à escalada de tragédias ambientais em diferentes continentes: incêndios devastadores na Califórnia e na Patagônia, tornados no Sul do Brasil, enchentes catastróficas na Espanha e no Rio Grande do Sul, furacões cada vez mais intensos no Caribe e terremotos seguidos de tsunamis no México e no Japão.

Não se trata mais de projeções distantes. Trata-se de um presente em rápida transformação.

No fim, a discussão sobre energia deixou de ser apenas técnica ou econômica. Ela se tornou uma escolha civilizatória. Entre insistir em um passado fóssil que aprofunda crises climáticas e geopolíticas ou acelerar a transição para um futuro baseado em inovação, segurança energética e sustentabilidade.

Se nada for feito, o futuro que parecia distante pode chegar, e de forma dramática, muito antes do que imaginamos.

 *por Polibio F Braga – Jornalista/ PBcom&press

polibiobraga.comunicacao@gmail.com / https://www.linkedin.com/in/pbcomepress/

Um comentário:

  1. Polibio... o buraco e muito mais embaixo.... a China atualmente e o maior emissor de CO2 do planeta e quer estabelecer com seus cavalos de troia no ocidente ( esquerdas)... fazer o ocidente diminuir as emissões.. e ficar dependente deles em paineeis baterias e turbinas...... chinos de inocentes não tem nada.... ate o ocidente perceber que a esquerda são cavalos de troia chineses....

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