terça-feira, 19 de abril de 2016

Empresários gaúchos se unem para discutir mentalidade empreendedora do RS

Um grupo de empresários gaúchos, capitaneado pelo designer e empresário Mário Verdi, promoverá um debate altamente qualificado, com a presença de palestrantes de são Paulo e do Rio de Janeiro, sobre as saídas que podemos buscar na ciência e na inovação para a grave crise que assola o Rio Grande do Sul.

Engajados na proposta de trazer uma agenda positiva de alteração da mentalidade empreendedora gaúcha, o grupo se mobilizou num modelo de crowd funding privado para financiar o evento, que é aberto ao público.

O seminário, que ocorrerá no dia 25 de abril, segunda-feira, no Hotel Sheraton, tem nome sugestivo: Antropobusiness : a sobrevivência do organismo empresarial em pauta.

Destaque para a palestra de Clemente Nóbrega que, a partir da aplicação de conceitos da física à gestão, tornou-se um dos mais respeitados pensadores brasileiros da atualidade quando o assunto é gestão, empreendedorismo e inovação. É autor dos livros "Em busca da empresa quântica", "Antropomarketing", "Innovatrix, inovação para não gênios" e do provocativo "A intrigante Ciência das Ideias que dão Certo”. O seminário, que também apresentará a chefe da área de inovação do Itaú-Unibanco, Ellen Kiss , e o diretor da MJV Inovação e co-autor do livro Design Thinking : inovação em negócios, Maurício Vianna,

"É nítida a estagnação da supremacia inovadora na região sul. Precisamos trazer um novo ingrediente que crie um ambiente favorável ao risco inerente à construção do novo, em detrimento da segurança previsível do "erro zero", disseminada de maneira sistemática nas útlimas décadas onde nosso diferencial foi a qualidade total", aponta Verdi. Além de Verdi, integram o time de promotores do evento os empresários Analisa de Medeiros Brum, da Happy House Brasil, César Paz, da AG2, Tiago Lemos, da Ventiur, Atila Franco, da CDA Branding for People, Daniel Sperb, do Unilasalle, Marcelo Paes, da Tantum Inovação, e os executivos Luis Fernando Colling e Fernanda Griebeler, ESPM, através de seu diretor Richard Lucht, Luciano Weber, da Device Autmation e Evandro Scariot, da Automatech,

Serviço 

O que: seminário Antropobusiness: a sobrevivência do organismo empresarial em pauta.
Quando: 25 de Abril, segunda-feira
Onde: Sheraton Hotel, Porto Alegre

“Inovação é sobre o futuro. Tem riscos. É experimental e aberta”, diz físico Clemente Nóbrega que faz palestra em Poa em abril

Pode parecer estranho, mas Clemente Nóbrega é um físico que respira gestão e empreendedorismo. Na física, ele buscou as soluções para garantir a sobrevivência e competitividade das organizações. Conheça um pouco da história e das ideias do autor, que palestra no dia 25 de abril, segunda-feira, no Hotel Sherathon, durante o Seminário Antropobusiness: a busca por uma liderança para a sobrevivência das organizações empresariais.

Como um físico acabou se interessando por gestão e empreendedorismo? O que essas áreas têm em comum?

Nóbrega – Sou um físico especializado em energia nuclear. Trabalhei 14 anos nesta área, que abandonei para me tornar executivo de empresa. Outros 14 anos depois, virei pesquisador de assuntos do mundo empresarial. Meu tema é inovação como veículo para aumentos de produtividade. Inovação é um conceito complexo e multifacetado, que ainda não foi sistematizado. Todo mundo fala nele, mas poucas empresas têm processos para “fazer a inovação acontecer”. Interesso-me por inovação motivada pelo mesmo impulso que me levou à Física lá atrás: problemas não resolvidos. Físicos gostam de se imaginar resolvendo grandes problemas (todo físico um dia sonhou ser um Einstein, mas o tempo os força a acomodarem-se a ambições mais modestas).

O senhor, em uma de suas obras, fala em empresa quântica. Que conceito é esse?

Nóbrega – A ideia é a seguinte: houve uma mudança radical em física no início do século XX ,a partir do momento em que foi possível olhar para dentro da matéria, vasculhar seu interior e contemplar sua intimidade. O que apareceu foi um mundo estranho e intrigante. Um mundo que não se deixa capturar pelas noções que nos ajudam a funcionar no dia a dia, nem podia ser descrito pelo nosso vocabulário corriqueiro. O mundo “ali dentro” não era como o mundo “aqui fora”. Foi preciso inventar outra linguagem e alterar todo o quadro mental vigente para dar conta daquela realidade nova.

A física quântica foi essa linguagem. Construída através do talento de um punhado de cientistas, acabou consolidando-se como a maneira certa para se lidar com aquele universo perturbador do interior da matéria.

Linguagem esquisita, contra intuitiva, que desafiava o senso comum – zombava dos princípios que todos usavam para falar, descrever e entender o mundo e as coisas. O paradoxo, a incerteza, a falta de objetividade, a impossibilidade de se relacionar causa com efeito são suas marcas registradas.

Mas, esquisita como é, a física quântica dá certo. “Dar certo” em ciência e em business é gerar coisas úteis. É levar a resultados.
Fora da Física, no mundo das organizações, a linguagem usual faliu diante da complexidade crescente do mundo. O desafio dos gestores hoje é análogo ao dos físicos do início do século. Temos de colocar em marcha em nossas empresas e nossas vidas algo que nos possibilite lidar criativamente com o caos e a incerteza  do mundo.

Essa coisa de "empresa quântica" reflete simplesmente isso: os pressupostos que sempre usamos, os princípios em que sempre nos apoiamos no dia a dia para guiar nossa ação – produzir ,ser feliz – nada disso está funcionando mais, assim, precisamos do equivalente a uma linguagem quântica para a empresa .

As empresas, como organizações sociais, são complexas e tendem à desorganização. Por que isso ocorre e qual a vacina para que a desordem natural não comprometa os objetivos e viabilidade das empresas?

Nóbrega – As organizações tendem a se desorganizar por causa de uma lei da Física que, essencialmente, diz que o estado natural de qualquer coisa é a desordem, a não ordem. É chamada de lei da entropia. Entropia é uma medida da desordem de um sistema. Sistemas de quaisquer naturezas tendem à desordem (entropia crescente) se não forem submetidos a fluxos contínuos de energia. Tudo o que vemos organizado/estruturado no mundo natural está submetido a fluxos contínuos de energia. Pode ser um feto, uma flor, um animal. Tudo depende de energia que, em última análise, vem do sol. Na empresa e organizações em geral, essa energia vem da liderança – a mais importante função gerencial. É a liderança que impede o sistema empresarial de se acomodar em seu estado natural. É ela que tira o sistema do equilíbrio, da uniformidade, da "entropização" crescente.

O senhor criou um conjunto de práticas que viabilizam a construção de inovação em organizações, chamada INNOVATRIX. Qual a premissa dessa metodologia e em que tipo de organizações ela pode ser aplicada?

Nóbrega – INNOVATRIX é um método de solução de problemas baseado na TRIZ – uma abordagem inventada por um russo chamado Geinrich Altschuller nos anos 1940. Foi ele que originou o que hoje chamamos de inovação sistemática. A aplicação do método começa identificando contradições existentes no sistema que estamos tratando. Contradições geram lacunas que afastam o sistema do que chamamos de seu estado ideal. O método sugere rotas para fazer alterações no sistema de modo que ele se aproxime do seu estado ideal.

A inovação sistemática (INNOVATRIX) enfatiza a eliminação do que impede o funcionamento ideal do sistema, não a adição de recursos a ele. Para produzir inovação, ela valoriza a reconfiguração do que já existe. Suas soluções são desenhadas a partir de um vasto corpo de conhecimentos muito gerais sobre soluções que deram certo em contextos diferentes.

O ponto de partida do INNOVATRIX é o seguinte: alguém, em um contexto qualquer, já resolveu um problema “parecido” com o que você tem. Busque sua solução a partir daí. Há uma base que justifica esta afirmação: essa base tem origem num tipo de saber não intelectual, muito prático.

Inovação sistemática é uma ciência prática que se apoia na análise de (literalmente) milhões de problemas em áreas distintas. Uma ciência experimental, digamos assim, que começou “artesanalmente” nos anos 1940 e tem ganhado relevância nas últimas décadas. Uma ciência baseada no conhecimento de quem faz (a practitioner science). Ela não tem teoria por trás.

Um físico muito conhecido – Stephen Hawking, personagem central do filme “A teoria de Tudo” – capturou bem esse espírito quando disse: “desisti de ser rigoroso, quero apenas estar certo”.

Hoje há um culto à inovação. Ela apresenta-se como a grande perspectiva, mas também como um enorme desafio para as corporações. Em que medida a inovação efetivamente pode garantir a sobrevivência das empresas? Por que inovar é algo tão difícil para as organizações?

Nóbrega – Inovação pode ser sistematizada e tornar-se um processo nas empresas. O desafio maior é que, por definição, inovação tem riscos maiores do que aqueles do dia a dia. Inovação é sobre o futuro. Tem riscos. É experimental e aberta.

Em qualquer organização, inovar conflita com a operação rotineira. Inovar é sempre antinatural para a organização. Por quê? “Operação do dia a dia” embute tudo o que a empresa aprendeu a fazer bem ao longo de sua existência. É previsível e confiável. É graças a ela que a empresa adquire seu direito de existir.


Mas, esse direito não é vitalício. Para estender “ seu prazo de validade” ela tem que inovar, ou seja, tem que desafiar a moldura definida por aquilo que faz melhor.

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