quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Artigo, Astor Wartchow - Hegemonia petista

      O Partido dos Trabalhadores nasceu e cresceu sob expressiva influência e participação sindical, azeitada e substanciada com a participação de intelectuais. Com um discurso ético, moralizante e socialmente comprometido.
      No decorrer das diversas eleições conquistou postos parlamentares e executivos em todo o Brasil. E, finalmente, a presidência da república. Então, começou seu calvário. Afinal, a realidade e a matemática se sobrepuseram ao discurso fácil e populista.
      Humildade e democracia nunca foram suas virtudes, apesar do insistente discurso neste sentido.  Ética e honestidade, repetiam refrões como um mantra. Pura retórica.
      Alguns meses de exercício no poder federal sinalizaram o suficiente para que os principais fundadores e intelectuais abandonassem o “barco”. Afinal, corrupção e malfeitos superavam a esperança e o otimismo originais.  
      Hoje, face o julgamento do ex-presidente Lula - réu em outros processos, as pessoas se surpreendem com o discurso e a desenvoltura dos lulopetistas, que desafiam a realidade e fatos incontestáveis. Qual a novidade?
      Relembremos o passado. Todos os presidentes e governadores de outros partidos sofreram forte oposição. A frase mais comum: Fora, Sarney. Fora, Collor. Fora, Itamar. Fora, FHC. Fora, Yeda. Fora, Sartori. Fora, todos!
      O PT foi contra o texto final das constituições estaduais (1990) e federal (1988). Nos parlamentos estaduais e federais raras são as iniciativas de governos, partidos e parlamentares (de outros partidos) que mereçam apoio do PT.
      Salvo seus “satélites”, quem se aliou formalmente ao PT em alguma eleição não o repete na eleição seguinte. Resumindo: o PT é um partido hegemônico. Não tolera divergências. Pretende a dominação total.
      Sua influência sistêmica nos sindicatos, nas ONG’s, na igreja católica e nas universidades é um retrato e confirmação das teorias do filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937) acerca do conceito de hegemonia cultural.
      Então, o que significa o acampamento em Porto Alegre? O que pretendem ao intimidar e ofender juízes, procuradores e policiais federais, as leis e a constituição? Lula está acima da lei? Por quê?
      Indiretamente, sugerem que o fato de tantos históricos ladrões soltos não justificaria um líder popular preso, que dirá um ex-presidente. Os fatos e as provas não importam. O que se sobrepõe neste momento é seu conceito de hegemonia.
      Não à toa que há inúmeros depoimentos entre petistas acerca dos seus próprios erros. Erros? Sim, para intensificar e radicalizar a permanência do poder importa dominar também a imprensa, as forças armadas e o poder judiciário. Mas, estas falhas não se repetirão quando voltar ao poder. Isto se chama hegemonia ideológica!


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