quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Artigo, Mateus Bandeira - Esperança em tempos difíceis

Artigo, Mateus Bandeira - Esperança em tempos difíceis

Aimagem do copo meio cheio, meio vazio pode ser a melhor representação do ano que passou. Dependendo de como o observamos, foi o período do aprofundamento da crise. Ou do recomeço.

De um lado, dívida pública ascendente, desequilíbrio fiscal e paralisia estatal desalentam. No entanto, a face mais cruel da crise são os 13 milhões de desempregados e a inédita quebradeira empresarial. Essa tragédia brasileira resultou da soma de incompetência administrativa, menosprezo a lições econômicas consagradas e acirramento político.

A opção entre a velha e a nova política, entre o velho e o novo Brasil, é nossa.
Por outro lado, ficamos animados com a retomada da criação de empregos e de investimentos, inflação baixa, juros em queda, Petrobras e Eletrobras em processo de saneamento e volta do debate sobre privatizações. Ainda que oscilante, há uma chama de esperança para 2018.

Mas se as reformas imprescindíveis _ previdenciária e tributária _ não forem encaradas com desapego ideológico, teremos apenas um voo de galinha. Para evitá-lo, é preciso entender que o equilíbrio fiscal não é um bibelô enfeitando a mesa do ministro da Fazenda. Contas públicas em ordem são o caminho seguro para investir em saúde, educação e segurança.

O retrocesso que vivemos nos últimos três anos tornou-se mais agudo com a corrosão partidária revelada pela Lava-Jato. Desta vez, porém, a lei chegou ao andar de cima, sendo aplicada a quem antes era intocável. Por isso, o desânimo com a política, em vez de provocar sua rejeição, deve abrir lugar para um novo modo de encarar a vida pública.

Se quisermos alcançar o desenvolvimento sustentável, a igualdade de oportunidades e a fraternidade que uma nação precisa para avançar, devemos ser perseverantes para ver, gota a gota, a água do copo chegar à borda. Ao adentrar 2018, ano da maioridade do século 21, temos de deixar o século 20 nos livros de história.


As escolhas que faremos agora indicarão se vamos em direção ao retrocesso ou ao crescimento. Definirão se seguiremos o receituário de nações com desenvolvimento econômico e social consolidado ou daquelas que fracassaram. Mostrarão, enfim, se aprendemos com os erros do passado. A opção entre a velha e a nova política, entre o velho e o novo Brasil, é nossa.

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