domingo, 8 de dezembro de 2019

Artigo, Fábio Jacques, especial para este blog - O supremo hamster.

Após algumas pesquisas na internet a respeito do custo diário do STF e, considerando 196 dias úteis trabalhados em 2018, dividindo valores por dias segundo a aritmética do quitandeiro lusitano, cheguei à conclusão de que a suprema corte deve custar a bagatela de três milhões e quinhentos mil Reais por dia.
Fazendo um raciocínio tabular, ouso dizer que este é o custo de uma sessão da corte. Se estiver errado aceito correções.
No julgamento sobre o compartilhamento das informações do antigo COAF e da Receita Federal, a corte se reuniu por três sessões (multiplique-se pelos valores acima), em uma das quais, o ministro Dias Toffoli se dedicou exclusivamente a explicar, reexplicar, desexplicar e tentar justificar aquilo que nem deveria ter sido levado a julgamento, e que só foi levado devido a uma decisão anterior dele próprio suspendendo todo e qualquer compartilhamento de informações a partir destes órgãos de controle. Os motivos são de conhecimento geral.
O assunto, pela sua cristalinidade, exigiu uma exposição de motivos tão rebuscada que o seu colega, ministro Luís Roberto Barroso sugeriu a contratação de um expert em javanês para que traduzisse para o vernáculo a douta explanação do eminente magistrado.
Vendo a fantástica ginástica mental de Toffoli tentando explicar o inexplicável, fui mentalmente transportado para o mundo maravilhoso dos pets no qual um pequeno hamster corria alucinadamente dentro de uma roda giratória para chegar, após longo tempo e imenso esforço físico, exatamente no mesmo local da partida. Correndo sem sair do lugar.
A visão da pequena criatura roedora, me fez, igualmente, lembrar de outras peculiaridades “hamsterianas” que remetem às encontradas entre diversos membros da suprema corte.
Os hamsters que são vorazes e insaciáveis, têm bochechas dilatáveis onde armazenam o excesso de alimentos que não conseguem comer na hora, guardando-os para futuros repastos. Se fossem maiores poderiam acumular nestas despensas orgânicas, lagostas e vinhos quadruplamente premiados.
Sendo roedores, os dentes dos hamsters não param de crescer o que os obriga a viver permanentemente roendo ou mordendo alguma coisa, como, por exemplo, o dinheiro dos contribuintes.
E, finalmente, o nome científico do animalejo também carrega um profundo significado: Phodopus. Existe algo mais representativo, pela sua sonoridade, daquilo que vários ministros da realeza estão permanentemente fazendo com os seres inferiores que somos nós, vis mortais, se considerarmos o quando de nossos salários são compulsoriamente recolhidos para sustentar esta corte imperial?
Acho importante não esquecer, depois de mostrar as semelhanças, de lembrar algumas diferenças significativas entre um hamster e um ministro do supremo: um hamster filhote não custa mais de R$ 100,00, come apenas verduras e frutas doces, não muda de opinião de acordo com as conveniências e vive no máximo 3 anos enquanto que os atuais ministros custam infinitamente mais e, infelizmente, parecem eternos.
Pelo menos para mim, a imagem “hamsteriana” casa bem com a de vários magistrados de nossa suprema corte, dentre os quais destaco o incansável, bom e velho atleta da roda giratória, Celso de Melo.
Mas, após este julgamento do COAF, duvido que qualquer um deles consiga alijar do primeiro lugar no podium, o atual presidente, Dias Toffoli, e nem lhe arrebatar o merecido título de Supremo Hamster.

Um comentário:

  1. Existem dois tipos de juízes, os que julgam e os que escolhem suas sentenças. Os que julgam tem compromisso com a verdade e os que escolhem tem com promisso com outros objetivos, sempre menores. Quando o juiz está comprometido com objetivos menores fica muito difícil explicar suas sentenças à luz da lógica porque elas não são lógicas, então eles ocupam seus ouvintes com aquele blá-blá-blá que parece javanês ou juridiquêz que apenas serve para dar um ar de seriedade à sua desonestidade mental.

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