Estima-se uma redução da Selic na próxima reunião do Copom, amanhã e depois, indo para o patamar de 12,25% até o fim de 2026. A seguir, neste texto, Ramiro Delgado, especialista em investimentos imobiliários, é analisado se a queda da Selic pode se refletir nos juros dos financiamentos e tornar esse momento estratégico para comprar imóvel.
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 27 e 28 de janeiro, já movimenta o mercado financeiro. Com a expectativa de uma possível redução da taxa Selic, investidores começam a reavaliar estratégias, e o mercado imobiliário volta a ganhar protagonismo nesse debate.
Após um período marcado por juros elevados, crédito mais restrito e adiamento de decisões de compra, a sinalização de um novo ciclo de queda da Selic faz muita gente voltar a se perguntar se vale a pena investir em imóveis em 2026. Seja para compra e venda, geração de renda com aluguel ou até para moradia, o tema ganha força justamente em um momento de transição do cenário econômico.
A expectativa por uma queda nos juros já está no radar do mercado há um tempo. O mercado está aguardando esse movimento há meses. Na última reunião do Copom, já houve um viés claro de baixa, e a tendência é que essa redução se confirme agora e se prolongue ao longo de 2026.
A relação entre Selic e mercado imobiliário é direta, mesmo não imediata. Uma eventual queda da taxa básica tende a melhorar gradualmente as condições de financiamento, tornando o crédito mais acessível. Como os financiamentos imobiliários são contratos de muito longo prazo, de 30 a 35 anos, os bancos costumam se antecipar. Alguns já começaram a reduzir suas tabelas de juros, justamente projetando esse novo cenário.
Hoje, com os juros ainda elevados, muitos brasileiros seguem postergando a compra do imóvel, seja para morar ou investir. No entanto, esse cenário pode favorecer quem se antecipa ao mercado. Além do impacto nos financiamentos, a expectativa de queda da Selic também muda o comportamento do investidor. Com a renda fixa ainda atrativa, mas com tendência de desaceleração nos retornos, cresce o interesse pela chamada economia real. As pessoas passam a buscar ativos que gerem valor de forma mais concreta, e o imóvel entra como uma opção de proteção patrimonial, diversificação e potencial de valorização.
Esse movimento tem efeito direto sobre a dinâmica de preços dos imóveis. Com juros mais baixos, mais pessoas conseguem aprovação de crédito, o que aumenta a demanda. “Quando cresce o número de compradores disputando uma quantidade limitada de imóveis, os preços tendem a subir. É uma lógica simples de oferta e demanda.
Nas principais capitais do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, os preços dos imóveis estão represados há alguns anos, justamente por conta do ciclo prolongado de juros altos. A tendência é que, assim que a Selic comece a cair de forma mais clara, esse represamento seja liberado e os valores passem a subir.
A queda da Selic também pode beneficiar quem comprou um imóvel financiado em um período de juros mais altos. Desde 2012, a Lei nº 12.703 autoriza a portabilidade de financiamento imobiliário, com taxas menores no mercado. Existe a possibilidade de renegociar o financiamento com o próprio banco ou transferir a dívida para outra instituição em busca de condições mais vantajosas. Na prática, isso significa a chance de ajustar o contrato, pagar menos juros e aliviar o peso das parcelas ao longo do tempo.
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