Opinião do editor - Dias Toffoli balança ao perturbar o inquérito do Banco Toffoli. Entenda o caso.

Com o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli protocolado nesta quarta-feira pelos senadores Magno Malta, Damares Alves e Eduardo Girão, o total de representações por afastamento de ministros da Corte chegou a 72, considerando apenas os requerimentos apresentados contra os atuais integrantes do Supremo.

O recordista em pedidos de impeachment individuais é o ministro Alexandre de Moraes, que concentra 41 requerimentos para que seja deposto do cargo. Depois dele, o decano Gilmar Mendes soma nove pedidos; o “recém-chegado” Flávio Dino já tem seis; Dias Toffoli, quatro; Cármen Lúcia, três; e Edson Fachin e Luiz Fux, um cada.

O ministro Dias Toffoli, que foi advogado de Lula e do PT antes de ser nomeado ministro, embora não seja o campeão na lista de pedidos de impeachment, é o que corre o maior risco de ser impedido, tudo em função da suspeita condução do inquérito sobre a liquidação do Banco Master. Dias Toffoli puxou para si este inquérito que corria no TRF1, impôs surpreendente sigilo e desde lá é acusado de tentar proteger Vorcaro e até anular a liquidação do Master.

A Folha já o denomina "Abafador Geral da República".

Dias Toffoli tem parentes e amigos envolvidos demais no escândalo do Master e do seu dono Daniel Vorcaro, contando com aliados com interesses nem sempre republicanos no assunto, como é ocaso mais recente da revelação da venda do resort que o irmão e o primo do ministro venderam no Paraná.

O mais falado dos aliados é o colega do ministro, no caso Alexandre de Moraes, que até hoje não explicou direito como é que sua mulher assinou contrato de R$ 131 milhões para defender o banco e seu dono, e quais foram as conversações que manteve com o Banco Central sobre o cliente da mulher.

Não é só, claro.

Todos estão interessados em melar o caso.

Alguns deles apareceram de modo inesperado, como o ministro do TCU.

.... Outros, menos inesperados, como os 40 influenciadores contratados a R$ 2 milhões cada um para melar tudo, falando mal do Banco Central, que teria sido apressado no caso.

A Polícia Federal vai tocando o inquérito aberto em novembro do ano passado, atendendo denúncia do Banco Central e desfechando a Operação Compliance,  mas se queixa das cascas de banana impostas por Dias Toffoli, a um ponto tal que a Associação dos Delegados Federais, hoje, e a Associação dos Peritos Criminais Federais, esta semana, denunciaram o ministro por tentar embaralhar as investigações.

E é mesmo o que parece pela ação do próprio Dias Toffoli e do seu colega e amigo Alexandre de Moraes, que investem contra a Polícia Federal, contra o Banco Central e até contra a Coaf e a Receita Federal, tudo porque evidentemente liberam situações nas quais todo mundo envolvido na coisa está aparecendo com a bunda de fora. Moraes abriu outro dos seus inquéritos de ofício por que se sente atingido com vazamentos, mas diz que ninguém está livre dos vazamentos.

Não é pouca coisa.

Neste domingo, a Transparência Internacional não pediu o impeachment do ministro, mas quer vê-lo afastado da relatoria. Nas últimas semanas, até jornalões adesistas como Zero Hora, Folha, O Globo e Estadão, também reclamaram a mesma coisa.

É um buraco sem tamanho.

De que tamanho ?

Por enquanto, o que se sabe é o tamanho do dinheiro que o Fundo Garantidor de Crédito começará a pagar, amanhã, aos correntistas, aplicadores e invesatidores do Banco Master, que quebrou e não tem mais volta. R$ 42 bilhões sairão a partir desta segunda, cobrindo até o valor de R$ 250 mil, de imediato. Quem tinha mais, terá que se habilitar na massa falida e talvez nunca mais receber nada. É o caso do escritor Marcelo Paiva, que se queixou publicamente. Marcelo sabia dos riscos de quem quer ganhar muito e em pouco tempo, correndo riscos. Ou o correntista que tinha R$ 20 milhões aplicados em CDBs, foi advertido e permaneceu ali, perdendo tudo, como conta, hoje, o jornalista Lauro Jardim, de O Globo. Há mais, mas quase todos se calam temerosos pela exposição - e repressão.

No meio dessa gente estão investidores e explicadores que devem explicações à Polícia, como vendedores de títulos podres, prefeituras e fundos de previdência que não poderiam ter colocado dinheiro bom em banco podre ou em aliados dele, como a Reag, também liquidada pelo Banco Central. Essa Reag é a mesma do resort do irmão de Dias Toffoli e no RS fez negócio com os concessionários do Cais Mauá, onde o IPE botou dinheiro bom dos servidores estaduais e perdeu tudo.

Na cobertura de toda essa gente escusa estão figurões da República alojados no Executivo, Legislastivo e Judiciário. O ministro Haddad diz que se trata do maior escândalo de República,maior do que o Mensalão e a Lava Jato.

A partir do dia 2 de fevereiro, data da reabertura do ano legislativo, os tambores rufarão no Congresso Nacional com força inaudita, ainda mais que este é um ano eleitoral e uma CPMI. O deputado Carlos Jordy, PL, já em as 257 assinaturas de deputados e senadores para instalar a CPMI e entre os dois primeiros convocados poderão ser justamente ser Daniel Vorcaro, dono do Master, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, que até agora não explicou esse seu contrato de R$ 131 milhões para defender o Master e Vorcaro.

A partir da aí, se não tiver perdido a relatoria, Dias Toffoli perderá o controle da situação.


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