domingo, 6 de janeiro de 2019

A nobre arte da interpretação de textos.


Retornando à ministra Damaris que disse, metaforicamente que “meninas vestem rosa e meninos vestem azul”, fato que criou uma gigantesca polêmica em todas as mídias, fiz uma pesquisa no livro mais antigo que conheço, a bíblia, e em Genesis 1:27 encontrei a seguinte sentença:
“Deus, portanto, criou os seres humanos à sua imagem, à imagem de Deus os criou: macho e fêmea os criou.”
Será que o escritor do livro, supostamente Moisés, esqueceu de citar as inúmeras outras categorias de seres humanos da família dos LGBTs?
Uma antiga tradição quase universal foi, e continua sendo em alguns lugares, quando nasce um ser humano aparentemente feminino, presentear os amigos com bombons, e, quando aparentemente masculino, com charutos? Talvez este costume tenha sido apenas uma simplificação dos antigos, pois hoje não consigo imaginar quantos tipos diferentes de presentes teriam que ser criados em função da expectativa dos pais neste momento de tão grande alegria. Até que seria interessante ver os pais do nascituro presenteando os amigos com uma melancia porque esperam que no futuro aquela pequena criatura se consolide com transexual.
Se formos fazer uma busca das origens, não bíblicas, mas genéticas, veremos que até a 7ª semana de gestação os embriões são iguais sexualmente, ou seja, são femininos. Todos nós um dia fomos mulheres biologicamente o que me leva a uma terrível constatação: “as mulheres abortam, predominantemente, menininhas”.
A grande mídia tem demonstrado uma imensa dificuldade em interpretar sentenças não conseguindo distinguir realidade de metáfora, de ironia ou de brincadeira.
Ao ouvir da ministra que “agora meninas vestem rosa e meninos vestem azul” entenderam literalmente que o governo vai baixar um decreto obrigando as crianças a usarem estas cores conforme sua “aparência” sexual. Esta foi uma grande preocupação demonstrada por toda a equipe da Globo News durante a entrevista da ministra Damaris.
Um dos entrevistadores me chamou especialmente atenção pelo desconforto em seus questionamentos à ministra, o Merval Pereira, que parecia estar constrangido em ter que fazer perguntas tão ridículas ou estava simplesmente demonstrando que Bolsonaro tinha razão quando disse, também em entrevista à Globo News, que achava ele “meio jeitoso”.
Será que os entrevistadores se lembraram dos bilhões de chineses vestindo o mesmo uniforme nos tempos de Mao Tse Tung? Acho que não, pois esta lembrança os teria deixado felizes e descontraídos e não tão apreensivos.
A grande mídia já havia ido à loucura quando Bolsonaro disse, jocosamente, que iria ligar Minas Gerais ao oceano Atlântico. Entenderam que Bolsonaro estivesse fazendo uma promessa de abrir um canal através do Espírito Santo para que os mineiros pudessem ter sua própria praia de mar ou, quem sabe, fazer um imenso tobogã através do território capixaba. Até que seria maravilhoso.
Acho que as faculdades de jornalismo deveriam se preocupar em exercitar seus alunos na nobre arte da interpretação de textos, ou será que, na verdade, o que está ocorrendo é uma onda de espiritualização dos apresentadores principalmente da Rede Globo, que, a exemplo da mãe de santo Miriam Leitão, só dizem aquilo que os “caboclos” que os pagam os obrigam a dizer?

O autor é CEO da FJacques - Gestão através de Ideias Atratoras, Porto Alegre,
www.fjacques.com.br -  fabio@fjacques.com.br

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