sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Artigo, Francisco Pires Teixeira - Nomeações e contradições

- O autor é vice na Farsul e presidente do Sindicato Rural de São Gabriel.

Na foto, Regina Becker, a defensora das galinhas e dos bois em pé.

No mesmo dia em que o país acompanhava com atenção a posse do novo presidente da República, tomaram posse 27 novos governadores estaduais, assumindo os governos de Estados mergulhados em grave crise econômica – entre eles o Rio Grande do Sul. O novo governador do Estado tomou posse no Palácio Piratini e nomeou seu secretariado, escolhendo, segundo ele, nomes com “gabarito técnico” para as funções.
Pois bem, um dos maiores desafios da economia gaúcha é justamente a geração de trabalho e renda. E um dos setores que tem respondido pelos melhores números do setor é justamente o agronegócio, com operações como a exportação de gado vivo para mercados do exterior, especialmente a Turquia, cujo incremento de renda literalmente contribuiu para manter, e em algumas regiões, até mesmo ampliar, os empregos na pecuária de corte. 
Porém, a Secretaria do Trabalho, encarregada justamente das políticas de geração de emprego e renda, foi entregue para a ex-deputada Regina Becker Fortunati, que nas eleições de 2018 não alcançou votação suficiente para permanecer na Assembleia Legislativa. Trata-se, justamente, da parlamentar que teve como bandeira de atuação a proibição da venda de gado em pé para o exterior. Dados da Farsul apontam que a comercialização de gado vivo exportou 167.567 cabeças para países como a Turquia e a Síria. Sem estas exportações, e com os preços praticados pelos frigoríficos, a pecuária, atividade econômica que sustenta centenas de trabalhadores gaúchos no campo, teria entrado em absoluto colapso.
Entretanto, essa incongruência não pareceu trazer qualquer constrangimento ao governador. A nomeação da ex-parlamentar, além de agredir a vontade do povo gaúcho que não a reconduziu ao Parlamento, carrega a nódoa da relação de troca entre bancadas e cargos para aprovação de projetos, um conhecido vício da “velha política” que o jovem eleito afirmava combater.
O governador tem o direito de nomear seus secretários conforme os critérios que escolher. Mas é também direito da sociedade, ao sondar com clareza estes critérios, entender quais são as reais prioridades da gestão, para além do discurso oficial. Que se diga claramente que certas nomeações atendem a critérios exclusivamente políticos, e não ao interesse da geração de mais renda para todos os gaúchos.

3 comentários:

  1. Boa intervenção. Estou preocupado com esse novo governo gaúcho. Tem viés esquerdopata. Vide a nomeação última de um jornalista notoriamente de esquerda e, pior, ostensivamente contra o Bolsonaro. Num Estado quebrado, precisando do gov fed, um governador fazendo bravatas, e meio veladamente enfrentando o governo federal recém instalado, não sei não. O novo governador não tem ideia dos chicagueanos q comandam a economia. Além de competentes, são pragmáticos. Não tem conversa. Esperem e verão. Finada mamãe já falava: “ às vezes é melhor entregar alguns anéis para não perder os dedos. Te cuida, Latorraca, digo, Leite, que quando menos espera, te colocam de joelhos. E, de roldão, todos nós. Isso se o Estado ( executivo), não parar antes . Quem viver verá.

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  2. A gauchada - aquela que não pertence à "calda petista"- cedo vai ter saudades do Sartori. Algumas centenas de milhares vão dizer para si mesmo: por quê dei meu voto para este Leite.

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  3. Esse ridículo lance da galinha só se justifica se a mesma fosse parente (filha?) da ex-deputada!

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