A sequência de movimentações estranhas que envolvem a investigação de irregularidades no Banco Master e a sua liquidação extrajudicial prossegue. E todas elas formam um cerco ao Banco Central (BC). De forma apropriada, a autoridade monetária decidiu em novembro interromper as operações da instituição após um longo processo de acompanhamento dos negócios do Master, que ao fim restou sem condições de honrar seus compromissos. O banco do bilionário Daniel Vorcaro se envolveu ainda em transações que indicam uma provável fraude de até R$ 12 bilhões com a venda de carteiras de crédito inexistentes.
São plausíveis as desconfianças de que, no mínimo, existiria o interesse em encontrar brechas para anular a liquidação no Judiciário ou assegurar algum tipo de indenização a Vorcaro
O conjunto de acontecimentos atípicos e mal justificados exige atenção redobrada pelas suspeitas de que tem por trás uma articulação para reverter a liquidação ou beneficiar Vorcaro, homem que teceu uma vasta teia de relacionamentos com o poder nos últimos anos. O mais recente episódio foi a determinação sem precedentes do ministro do Tribunal de Contas das União (TCU) Jhonatan de Jesus da realização de uma inspeção no BC para averiguar toda a documentação da liquidação do Master e a sequência de passos da autoridade monetária até a decisão. Jesus é ex-deputado federal do Republicanos de Roraima e é ligado ao centrão, grupo que tem seus próceres com notórios vínculos com Vorcaro. Em dezembro, Jesus classificou a liquidação como precipitada e exigiu explicações do BC.
Há sérias dúvidas sobre se o TCU tem competência legal para inspeção. E ainda que à Corte fosse permitido verificar se todo o processo foi conduzido de forma técnica, não há amparo normativo que dê margem para o tribunal reverter a liquidação. Pois até essa possibilidade circula nos bastidores. São plausíveis as desconfianças de que, no mínimo, existiria o interesse em encontrar brechas para anular a liquidação no Judiciário ou assegurar algum tipo de indenização a Vorcaro.
Também é de arregalar os olhos a postura do relator das investigações no STF, ministro Dias Toffoli, que não hesitou em assumir a função após viajar de carona em um jatinho em companhia de advogado que defende uma parte. Causaram estranheza ainda a decisão de puxar todo o caso para o STF, a decretação de sigilo sobre as apurações e a acareação de um diretor do BC com investigados. Pela péssima repercussão, Toffoli fez um recuo parcial e o representante do Banco Central foi dispensado da acareação após depor. Não devem ser esquecidos o contrato de R$ 129 milhões do banco com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes e as informações de que o ministro teria pressionado o BC em favor de interesse do Master.
Em sua trajetória, o BC já promoveu quase uma centena de liquidações de instituições até maiores do que o Master, sem pressão política e judicial nem sequer parecida. Os aparentes esforços para salvar o Master e seu dono, se exitosos, enfraquecem o BC em seu papel de supervisor bancário. É um precedente temerário, que põe em risco a higidez e a credibilidade do sistema financeiro nacional. E tudo sob o silêncio do governo federal e principalmente da Fazenda. A pizza que parece ser preparada a muitas mãos tem um preço caro demais para o país. A autoridade e a independência do BC precisam ser defendidas.
Daniel Vorcaro está mais para Laranja Operacional, de Figuras proeminentes do Poder! - - - Tudo cheira a Maracutaia Grossa para extornar todos os procedimentos legais e a roubalheira continuar, agora, autorizada!
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