#Cinema: Hamlet
– a beleza que nasce do sacrifício
O
filme de Chloé Zhao é uma das mais belas homenagens à Arte
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Uma das críticas mais recorrentes a Hamnet, de Chloé
Zhao, é de ser um filme manipulador de emoções. Ninguém sai ileso daquelas 2
horas e pouco de “intensa tragédia sobre o luto e a perda”, como classificou um
resenhista do The Guardian.
Mas a diretora Chloé Zhao também sabe manipular a arte a seu
favor. Então, o luto e a perda que nos emociona e nos turva a visão em diversos
momentos – sobretudo nas exuberantes cenas finais –, acabam se reconfigurando.
Deixam de ser o centro emocional para se tornar um fundo existencial em que se
elaborara não apenas uma forma de expressar a dor, mas de compreender o que ela
pode revelar.
E o que primeiro se revela é a maravilhosa atuação de Jessie
Buckley. Começa como uma Agnes Hathaway humilde, meio enigmática, mas que vai
se expandindo até transbordar na tela. Aos entusiastas da Inteligência
Artificial – e também aos apocalípticos que acham que profissão de ator irá
acabar –, Buckley demonstra que nenhum algoritmo pode substitui aquela presença
luminosa que só os grandes artistas conseguem irradiar. Um exemplo daquela
encenação viva do espírito humano que falava Stanislavski.
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