O jornal O Estadão de ontem revela que considerando o grande volume de informações que já são conhecidas, aparentemente, o que menos existiam no Master eram operações normais de um banco, como captar CDBs junto ao público e emprestar para empresas razoáveis, com uma margem que pagasse os investidores, os custos da operação e os tributos, deixando ainda algo como lucro.
Leia toda a reportagem.
Boa parte das empresas que aparecem com empréstimos significativos (de R$ 200 milhões a R$ 500 milhões) são pequenos negócios que não teriam patrimônio para tal volume de operação. Além disso, certos empréstimos tinham prazos de carência de vários anos, algo que apenas bancos como o BNDES fazem em certas circunstâncias.
Vimos também empréstimos para viabilizar operações especulativas junto a outros luminares no mercado de capitais, como a Ambipar, hoje em recuperação judicial e com ações cotadas em centavos.
O Banco Central pode até ter demorado um pouco para decretar a liquidação, mas o Master era uma instituição com uma enorme proporção de ativos podres, semipodres, ilíquidos (muitos dos quais contabilizados a preços acima do mercado) e, em parte, falsos. Tinha também custos extravagantes, inclusive com consultorias no Supremo e escritórios vazios em Londres e Miami.
Dizer que o banco foi perseguido por incomodar as grandes instituições ou que foi liquidado precocemente é um delírio que apenas políticos estacionados no Tribunal de Contas da União podem ter. O Master não tinha relevância no mercado de crédito, nem tamanho para se colocar como risco sistêmico.
Chama também a atenção o fato de que a instituição captou pelo menos R$ 50 bilhões, mas seus ativos aparentemente valiam muito menos do que isso, pelas razões acima apontadas. Não obstante, o banco estava totalmente ilíquido. Onde foi parar esse dinheiro? Como explicar isso?
Finalmente, é insuportável o grau de desgovernança pública que o caso do banco está revelando, junto a outras operações recentes.
Por mais que tribunais superiores tenham defendido a democracia com galhardia, ninguém pode fazer tudo o que desejar.
Isso, naturalmente, se aplica também ao Legislativo, que sai cada vez menor no seu corporativismo tão radical como irresponsável.
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