sexta-feira, 25 de maio de 2018

Artigo, Darcy F.C. dos Santos, Jornal do Comércio - Um candidato desinformado


Um candidato à presidência da República, em entrevista recente, fez afirmações sobre nosso Estado (RS) que não coincidem com a realidade. Diz que a Federação colocou os estados num jugo, quando fez o acordo da dívida de 1998, quando foi esse acordo que os retirou do colapso financeiro, ao substituir uma taxa de juros real de 23% por 8% (IGP-DI 6%). Prova disso foi os estados reduzirem os gastos com a dívida de 11% da receita corrente líquida em 2002 para 7% em 2014.
Dizer que o Rio Grande do Sul foi prejudicado também atesta desconhecimento. O Estado financiou a dívida com juros de 6%, em 30 anos, limitado os pagamentos em 13% da receita líquida real. Todos os estados fizeram igual acordo, com exceção de alguns que o fizeram pior, com juros de 7,5%, prazo de 15 anos para pagamento e limite de 15% da receita líquida.
O que aconteceu com o Rio Grande do Sul foi que o limite de 13% incluiu uma série de dívidas anteriores, deixando de pagar grande parte da dívida acordada. Com isso, sobraram altos resíduos que receberam novamente juros e correção monetária. Além disso, IGP-DI cresceu 38% acima da inflação desde 1998, o que tornou a dívida impagável. Em 2016 muitos estados, entre eles o RS, renegociaram sua dívida, obtendo carência total por seis meses e parcial por mais 12, baixando os juros, dilatando o prazo, mudando o indexador e possibilitando o pagamento integral da prestação.
Foi um bom acordo, mas as condições do Estado não lhe permitiram cumpri-lo. Por isso ingressou com liminar para suspender os pagamentos. Agora necessita aderir o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que não é um erro como diz o candidato. É a única condição capaz de evitar o colapso total no próximo período governamental, porque sem ele a liminar citada será suspensa e os déficits serão estratosféricos.
Será um erro, isso sim, se depois de aderir a ele não fizermos um grande controle da despesa, sem o que a situação poderá ficar ainda pior.

5 comentários:

  1. O IGP-DI é um índice de inflação. Então o IGP-DI não pode subir 38% acima da inflação (???) .

    O que ninguém fala é que em 2002 quando o Lula assumiu a liderança nas pesquisas para presidente, o dólar disparou para R$ 4,00 , o que fez o IGP-DI subir 33% em 2002.

    Então o PT é o culpado pela crise atual e pela crise da dívida dos estados. Até quando estes m..... nem eram governo conseguiam criar problemas.

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    1. Ao leitor que quis me dar uma aula de índice de preços, quero dizer a ele que sei que o IGP-DI é um índice de inflação. Mas quando afirmei que ele cresceu acima da inflação, quiz dizer acima do IPCA, que é o índice oficial da inflação. Muitas vezes, no intento de tornar os textos mais inteligíveis para o grande público, nos afastamos um pouco do rigorismo técnico. Mas se isso lhe ofendeu como economista, peço-lhe desculpas.

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    2. Quanto às maxidesvalorizações cambiais, concordo que foram as causas: uma delas foi em 2000 e a outra no governo lula, segundo o autor. O senhor não lê o que escrevo. Vivo dizendo isso, são um dos poucos que defendo o acordo da dívida, mas os espaços que nos reservam não permitem dizer tudo o que se pensa.

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    1. Ciro Gomes. Não coloquei o nome porque os jornais acham que pode gerar pedido de resposta.

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