quarta-feira, 6 de julho de 2022

A desinibida militância da escritora Martha Medeiros no jornal (3)

Por Renato Sant'Ana

 

Com um manifesto intitulado "Uma escolha fácil", Martha Medeiros faz campanha política em Zero Hora. Só que a arrogância e o desprezo à verdade com que ela sacraliza o seu candidato e diaboliza o adversário não lembram a leveza e o toque de arte da Martha que eu conhecia.

Já nas primeiras linhas, para afirmar que o seu candidato é "do bem" e o outro, "do mal", ela diz que, nas eleições deste ano, a disputa será "armas versus livros, culto à alienação versus incentivo ao conhecimento".  Só se ela inverter o sinal! Pois que falem os fatos.

Em 2011, o Ministério da Educação do governo petista comprou 485 mil exemplares de um livro pretensamente didático da autoria de Heloisa Ramos, contendo (de propósito!) erros gramaticais, tudo destinado a escolas públicas e ensinar à garotada uma língua de carroceiros

Ah, mas a agraciada sra. Ramos explicitou o propósito: "privilegiar a linguagem oral sobre a escrita" e, ainda, substituir a noção de "certo ou errado" pela de "adequado ou inadequado".

Acaso crianças precisam ir à escola para adquirir uma língua oral sem regras gramaticais?  De livro para informalizar a língua? É claro que os Maquiavéis do PT só pretendiam promover indigência intelectual.

O Prof. Cristovam Buarque (senador à época), comentando o livro dela, disse: "Pior do que deseducar, mantém o 'apartheid' linguístico! O shopping fala o português certo, a rua fala o português errado: manter isso é um crime! É a manutenção da desigualdade neste país!"

O ministro responsável por tal "crime de lesa cognição" era o petista Fernando Haddad, que Martha Medeiros qualifica como "um professor com experiência em gestão pública", em quem ela já votou para presidente.

Em 2014 (governo do PT), o Ministério da Cultura aprovou, para receber financiamento por meio de leis de incentivo fiscal, a edição de 600 mil exemplares de uma "adaptação" de "O alienista" de Machado de Assis. Mas, com o pretexto de franqueá-lo ao povão, apenas vulgarizaram um clássico.

A agraciada com o financiamento, Patrícia Secco, que, por exemplo, para "adaptar" a obra trocou "sagacidade" por "esperteza", foi "esperta" ao defender seu lucrativo negócio: "A ideia é distribuir os livros para não leitores, para pessoas simples, que sequer sabem quem é Machado de Assis, como o meu eletricista ou o porteiro do meu prédio. (...) nem quero que os jovens leiam isso. É para um outro Brasil (...)", disse.

Foi com sarcasmo que o novelista Aguinaldo Silva fulminou a "política de cultura" que Martha Medeiros quer ver de volta: "Quando a gente pensa que já viu tudo, eis aí a novidade na área da literatura: criaram um projeto para adaptar os livros de Machado de Assis à linguagem de Lula!"

Nos dois casos, o dinheiro do contribuinte havia de pingar no bolso de apoiadores do PT, sendo mais nocivo o livro didático, usado pelo governo petista para estupidificar escolares: o outro ninguém vai ler.

Agora vejam a mentalidade do candidato para o qual Martha Medeiros faz campanha: "(...) eu não consigo ler muitas páginas por dia, dá sono. E vejo televisão, quanto mais bobagem, melhor para mim. Eu quero é limpar a cabeça", disse Lula (Folha de S. Paulo, 19/08/2009).

Lula nunca escondeu a sua índole de Macunaíma. E jamais ligou para a cultura. Será que Martha Medeiros acredita no mito de que a esquerda valoriza a cultura e a educação? Os fatos mostram que, nos governos de esquerda com arroubos revolucionários, as políticas de cultura servem para promover o bizarro, o grotesco e o licencioso; e a educação, para imbecilizar a juventude, inclusive privando-a de dominar a língua culta.

Conclusão, se Bolsonaro (o outro candidato) nada fizesse no referente a "livros" e a "incentivo ao conhecimento", ainda assim seria melhor do que Lula. Porque, ao menos, não estaria destruindo.

(Esta coluna continua.)

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

E-mail:  sentinela.rs@outlook.com


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