quinta-feira, 4 de abril de 2019

Artigo,Geraldo Samor, Brazil Journal - Paulo Guedes no corredor polonês


Alguns focarão na forma – e criticarão o ministro da economia por ter perdido a cabeça e cedido às provocações da oposição.
Mas faz sentido focar no conteúdo: na maratona de seis horas e meia na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), Paulo Guedes distribuiu verdade incômodas a um Congresso que ainda pega a reforma da Previdência com a ponta dos dedos, como se fosse fralda suja.
Ora explicando, ora berrando, o ministro avisou que uma reforma branda obrigará os parlamentares a voltar ao tema em três anos, imporá índices de crescimento pífios ao PIB e manterá a “fábrica de desigualdades” do sistema atual.
Em ter mortos e feridos, salvou-se o ministro, sem qualquer apoio da chamada base governista – por enquanto, apenas uma construção teórica.
Sem ideias novas, mas abarrotada de clichês enferrujados, a oposição fez muito barulho e nenhum sentido.
No mês passado, quando o ministro faltou á sessão da mesma CCJ, os oposicionistas garantiram as inscrições para dominar as três primeiras horas de perguntas. Ontem, chegaram cedo e ocuparam as primeiras duas fileiras, ficando cara a acara com Guedes, que ouvia as provocações feiras fora dos microfones.
A única solidariedade – ao mesmo tempo real e simbólica – veio daquele que o chefe de Guedes e seus filhos satanizavam semana passada: o presidente da Câmara, que chegou com o ministro e retornou duas vezes á sala para tentar baixar a temperatura.
Com uma equipe técnica eficiente na retaguarda, Guedes não deixou ataque sem resposta. Criticou os governos petistas, lembrou o impeachment de Dilma por irresponsabilidade fiscal, elogiou o Bolsa Família de Lula, chamou de fracas todas as mudanças no sistema previdenciário feitas até agora e rebateu tentativas de envolvê-lo em denúncias da operação Greenfield.
Em seu momento mais forte, ergueu um espelho para a oposição se enxergar: “Vocês estão há quatro mandatos no Poder,” cobrou. “Por que não botaram impostos sobre dividendos”? Por que deram benefícios pra bilionários? Por que deram dinheiro pra JBS? Por que deram dinheiro pro BNDE? Por quê? VOCÊS estiveram no Governo! Nós estamos há três meses. Vocês tiveram 18 anos. E não tiveram coragem de mudar.
(Guedes exagera ao falar em “18 anos” e prefere ignorar as reformas que Temer fez – a trabalhista, por exemplo, foi conduzida por seu atual secretário da Previdência. Um reconhecimento maior ao Centro – que sempre segurou o País na hora H – faria bem.).
O ministro foi chamado de arrogante e lembrado de que precisava tratar os parlamentares com cortesia e elegância. Cobraram-lhe fazer a deferência de citar o nome dos deputados a quem respondia. Não precisou ouvir i puxão de orelha pela segunda vez. Ao ter uma série de perguntas enviadas por Clarissa Garotinho respondidas por seus técnicos, fez questão de levantar e entregar o rol em suas mãos. Foi aplaudido.
“Nós estamos do mesmo lado e vocês não sabem,” disse, apelando ao denominador comum do interesse nacional (um ineditismo no Governo Bolsonaro, mais especializado em rotular e dividir).
Alguns deputados da própria oposição elogiaram o modo aguerrido como o ministro defendeu a proposta, mas, no final, a sessão foi interrompida depois que o deputado Zeca do PT usou linguagem chula para sugerir que Guedes é duro com os pobres e maleável com os ricos. (Não que Zeca desejasse aprender, mas ele desconhece onde começa a defesa dos privilégios e termina a dos pobres.).
Entre empurrões e xingamentos, uma assessora do ministro e i próprio secretário da Previdência, Rogério Marinho, foram levados á Polícia Legislativa.
Essa zona é o Brasil. Grita-se demais, debate-se de menos. Fala-se demais, pensa-se quase nada. E a falta de respeito e civilidade já une os dois extremos do espectro político, assim como a intolerância e a resistência à mudança.
A base do governo continua despreparada para fugir das armadilhas. Governo sequer havia ali.
Só havia Paulo Guedes, que combateu o bom combate e guardou a sua fé, prestando um serviço ao País.
Mas a batalha de ontem deixou um alerta. Guedes é muito inteligente e vai tentar empurrar a agenda de reformas custe o que custar – mas precisará de apoio político.
Ele não pode ser o único adulto na sala. Se o Governo continuar brincando de Twitter e fingindo que coalizão política se faz com agressão via redes sociais, não há dúvidas de que uma hora o ministro se cansa da briga e volta ao Rio de Janeiro.

Um comentário:

  1. Samor é um canalha globalista! Teve orgasmos com a falta de apoio de governistas! Continua como bom esquerdista, achando que é Bolsonaro quem divide! E torcendo para não dar certo.

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