segunda-feira, 24 de junho de 2019

O que diz o general Etchegoyen

O editor assegura que a autoria é do general gaúcho Sérgio Etchegoyen, ex-ministro-chefe do GSI (serviço secreto) da Presidência da República (governo Temer). O general refere-se logo de início a uma declaração atribuída ao general Lessa, tudo com ameaças ao STF no caso do julgamento de amanhã. Sérgio Etchegoyen deixa claro que a declaração é abril de 2018 e o contexto político era outro bem diferente. O importante no texto a seguir, é a reafirmação que Sérgio Etchegoyen faz sobre os verdadeiros responsáveis pelo estado de deterioração econômica, política e social do momento, sobretudo as de caráter ético, portanto também moral.


Quando fui promovido a general de brigada, em 2004, o Gen Lessa já estava na reserva, ou seja, já não tinha tropa nem assento no alto-comando do Exército. Essa declaração é de abril de 2018, quando ele, há mais de 14 anos na inatividade, deu uma entrevista à Band. Requentadissima notícia! Não tenho procuração para defendê-lo nem pretendo isso, apesar de conhecer sua integridade e patriotismo, mas não faz mal lembrar o ambiente daquele momento. Declarações mais contundentes e muito menos republicanas deram Rui Falcão, Ciro Gomes, Gleise Hoffman, o presidente da CUT, o líder do MST et caterva, todos alinhados num jogral de violência em defesa de Lula e afronta à Justiça. Anunciou-se sangue, tiro, revolução e mais. Pois no Meio disso tudo, o escândalo foi a entrevista em que um general da reserva soltou uma bravata ou um desabafo (fica para o julgamento de cada um). É realmente desalentador ver a facilidade com que se recorre a fantasmas anacrônicos para assustar as crianças na sala. É triste ver esse recurso recorrente de desrespeito aos militares. Não fomos nós militares que trouxemos o País ao estado atual; não fomos nós que assaltamos o Brasil, produzindo o maior escândalo de corrupção de que se tem notícia; não fomos nós que compramos partidos e parlamentares por um projeto de poder; não fomos nós que reconduzimos a economia ao buraco da inflação e da maior recessão da nossa história; não fomos nós que criamos 14 milhões de desempregados; não fomos nós que reduzimos a Petrobras a 10% do seu valor de mercado; não fomos nós que inventamos o nós e eles; não fomos nós que escrevemos esta Constituição egoísta, que abandonou um projeto de nação para valorizar individualismos e corporativismos, e ridícula, que trata da felicidade pessoal a clubes de futebol... não fomos nós que...Chega. Poderia passar a noite listando as maravilhas que nossos brilhantes políticos e essa grande empulhação intelectual e ideológica que aqui nos trópicos chamamos de esquerda construíram com talento e dedicação. Se os militares tivemos alguma responsabilidade, foi termos mantido distância da lambança que nossos “democratas” produziram nesses 40 anos de absoluta liberdade. E liberdade não faltou, mas ela nunca foi tão mal utilizada e vilipendiada. Nenhuma outra instituição desta triste república amadureceu como nossas FFAA, e o fizeram por iniciativa própria, por pura convicção democrática. Sem condições impostas ou projetos corporativos, tentamos dar ao Brasil os marinheiros, soldados e aviadores que nossa estatura geopolítica merece, apesar do esforço sempre presente de jogar nosso grande país na vala do mundo miserável parido pela politicagem desonesta e pela porção ridícula da esquerda tupiniquim, inculta e organicamente desonesta. Não, não acho que exista política sem dissenso, sem divergências, sem antagonismos e não tenho nenhum problema em conviver com a diferença de opinião, mas é triste ver o desrespeito, a leviandade e o preconceito com que, por qualquer motivo, sem a nenhuma análise ou mesmo conhecimento, se recorre ao expediente de atribuir-nos o que não somos  ou o que não faremos. A razão? 21 anos de governos que erraram, e disso ninguém esquece, mas que também acertaram, e esse inconveniente a desonestidade intelectual esconde para evitar comparações que não lhe convêm. Não haverá país em pouco tempo se continuarmos tentando construir um futuro decente olhando para trás a sacar sempre o mesmo argumento embolorado e fendendo à confrontação ideológica do século passado, de onde a parte tristemente retrógrada da esquerda não consegue, ou não quer, sair.

3 comentários:

  1. Disse tudo! Parabéns pela concisão, clareza e precisão!

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  2. Parabéns, excelente texto! Só não vê quem não quer, ou seja, os zumbis da esquerda tupiniquim que só querem o poder de volta.

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  3. Texto irretocável, com uma clareza fantástica. Esse projeto de tomada do poder pela esquerda, acabou faz tempo. É preciso que se enterre o defunto.

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