Artigo do editor - E o oficial da Operação Bandeirantes puxou minha língua para fora e decretou? "Ele mente. A língua está seca".

Naquele início de tarde do dia 25 de maio de 2021, em plena pandemia do vírus chinês, depois conhecido mundialmente como Covid 19, eu e o Advogado Pedro Lagomarcino  aguardávamos a chegada da Delegada Andrea Mattos, mas como ela estava muito atrasada, o Escrivão Abayomi Mandela Silva Felix, que registraria o interrogatório, resolveu iniciar tudo pela parte introdutória desses tipos de caso, ou seja, pela qualificação do depoente. 

Um pouco antes de ingressarmos na sala da inquisição, pedi ao meu Advogado, o Dr. Pedro Lagomarcino, que ativasse o modo "gravador" no seu celular, tudo com o objetivo de registrar até a respiração da Delegada Andrea Mattos. Eu imaginava que ela produziria um resumo canhestro da conversa, o que realmente acabou acontecendo. 

Ainda assim, a oitiva foi muito mais civilizada do que um dos interrogatórios a que fui submetido, por exemplo, anos antes, em 1969, por um oficial do Exército vinculado à Operação Bandeirante, a temida Oban, deslocado para Porto Alegre, em pleno regime militar. Ao me ver algemado nas instalações do Dops, o temível Departamento Político de Ordem Social, localizado na Avenida Ipiranga, Porto Alegre. Ele estava junto com o Delegado Pedro Seelig. Estávamos todos de pé, mas só eu estava algemado pelas costas. O oficial disparou perguntas que não fizeram sentido para mim, confundindo-me. Incontinenti, ele passou a mão na minha língua e denunciou:

- A língua está seca. Ele está mentindo.

Eu não estava mentindo e nem falando a verdade.

Sem acusações e sem ser interrogado, fui depois de duas semanas libertado da cela escura, vazia, hermeticamente fechada e que continha apenas um caninho para circulação de ar, colocado ao alto de uma das paredes do Dops, que eu usava para melhorar minha oxigenação.

Na época eu trabalhava na sucursal gaúcha do jornal carioca Correio da Manhã, opositor declarado do regime militar. 

Agora, 25 de maio de 2021, desta vez, sem estar preso, mas sujeito a um interrogatório também policial, eu quis registrar tudo quando pedi ao Dr. Pedro Lagomarcino que gravasse a oitiva no seu celular, mesmo sem o conhecimento da Delegada Andrea Mattos.

A máscara respiratória protetora semi-facial Epi com 2 filtros, meus problemas de audição, a baixa temperatura em Porto Alegre naquele momento, 14 horas, e a tensão do ambiente, dificultaram o início da conversa:

Escrivão: Qual a profissão do Senhor ?
Políbio: Como ? 

Escrivão: Qual a profissão do Senhor ?
Políbio : Jornalista 

Escrivão: E o seu endereço ?
Políbio : Eça, Eça com “Ç”, Eça de Queiroz. 

Escrivão: Está bem. Então só apresentando algumas informações, que são seus direitos constitucionais. O senhor vai ser ouvido aqui como suspeito nesse caso. Então o senhor tem direito de permanecer em silêncio, só falar em juízo e o senhor também tem direito a presença do advogado.
Políbio: Sim, sim

Escrivão: O senhor Já foi preso anteriormente ?
Políbio : Se eu já fui preso ? 

Escrivão: É.
Políbio: Já! 

Escrivão: O senhor possui algum vicio ?
Políbio: Desculpe ?

Escrivão: O senhor possui algum vício ?
Políbio : Vício? 

Escrivão:  É
Políbio: Não. 

Escrivão: Morou com os pais até quantos anos ?
Políbio: Não consegui entender o que você falou.

Escrivão: Morou com seus pais ?
Políbio: Se eu morei com meus pais ? Morei.

Escrivão: Até quantos anos ?
Políbio: É...17 anos.

Escrivão: Começou a trabalhar com quantos anos ?
Polibio: Com 13 anos 

Antes de ser ouvido pela Delegada Andrea Mattos, eu já tinha sido interrogado, inúmeras vezes por policiais, oficiais militares, delegados federais e estaduais, promotores, procuradores, juizes e desembargadores, e algumas perguntas sempre me surpreenderam pela imbecilidade delas.

Não foi diferente nesta oitiva na Delegacia de Combate à Intolerância.

O que pode interessar para o caso de um inquérito do gênero, saber quantos anos eu morei com meus pais ou se eu tenho algum vício. E que tipo de vício ? Nem mesmo nos mais acesos interrogatórios policiais ou militares, debaixo de pancadaria, qualquer agente estatal me fez tal tipo de pergunta, a não ser este Escrivão e, mais tarde, uma magistrada de Vara Penal que queria saber se eu me drogava. 

Se eu me drogava ?

Fiquei perplexo.

E se eu me drogasse, que efeito teria isto na ação penal movida contra mim ?

E a Delegada Andrea Mattos demorava a chegar.

Foi então que o Escrivão resolveu ir adiante e passou a ler o Boletim de Ocorrência apresentado por ativistas de uma ONG chamada "Somos", Gabriel Galli Arévalo e Carlos César Klein, ambos ligados à extrema esquerda gaúcha, com ênfase para o PSOL. Sao indivíduos de ligações fortes com as Deputadas Luciana Genro e Fernanda Melchionna. Na época, Galli Arévalo era ocupante de Cargo em Comissão do gabinete de Melchionna.

A Deputada Luciana Genro é minha velha conhecida e costuma fazer a alegria dos meus advogados. Ela, seu pai Tarso Genro e seu primo, o então Capitão Adelmo Genro, ex-Chefe da Defesa Civil de Porto Alegre, moveram processos penais contra mim, alegando crimes de opinião. Eles perderam em todas as instâncias. 

Luciana e seu pai, além do seu ex-marido, o Vereador Roberto Robaiana, são personagens recorrentes do meu livro "Cabo de Guerra", e nenhum deles é retratado com cores favoráveis. 

Ao contrário de Luciana Genro, eu não conheço pessoalmente a  sua companheira de extrema esquerda, a Deputada Fernanda Melchionna.

É mais do que evidente que Luciana Genro e Fernanda Melchionna estavam por trás do BO registrado na Delegacia de Combate à Intolerância.

Eis o que leu para mim o Escrivão Abayomé Mandela Silva Felix:

Escrivão: Tá...enquanto a Delegada não chega, vou ler para o senhor aqui o histórico da ocorrência. Quando ela chegar a gente, dá continuidade, tá? 

“ Houve ofensas a alguém. Foram atribuídas ofensas reforçando a vítima no meio social em que ele vive, foram atribuídas qualidades negativas aos defeitos da vítima. Ofensas à vítima constitui na utilização de elementos discriminatórios referente a raça e etnia, a vítima não foi agredida fisicamente. Na Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância DPCI, conforme imagem anexada, os denunciantes alegaram que o jornalista proferiu ofensas a todas as pessoas LGBT, relacionando-as à prática de zoofilia. 

Verifique anexo.” 

Escrivão: O texto que se refere é esse aqui, né. 

“ Eduardo Leite manda bordar as cores do arco-íris gay na fachada do Piratini”

Foto de Felipe Dalla Valle - Fotógrafo contratado pelo Piratini. 

A foto é assunto em todo Brasil e também no exterior. O governador Eduardo Leite decidiu comemorar em alto estilo a legalização do homossexualismo como a opção da vontade sexual das pessoas e não como uma patologia. Pelo menos no ponto de vista da polêmica OMS. 

Ontem foi o dia internacional do universo LGBTQIA+ que engloba não só o homossexualismo, mas ainda não compreende a zoofilia, fenômeno que ocorre com pouca frequência em barrancos e coxilhas pouco frequentadas. 

No Rio Grande do Sul, a política estadual de atenção e integração de uma população LGBTQIA +  implantada com decisão por Eduardo Leite visa elaborar, estimular, apoiar, participar, e promover eventos, estudos, pesquisas, debates e ações que envolvam discussões de saúde da população LGBTQIA +. 

O relato mais recente do grupo gay da Bahia, GGB, divulgado no início de 2019 resultou que 2018 ocorreram 420 mortes de LGBTs no Brasil, 320 homicídios e 100 suicídios".

O imbroglio todo começou com essa curta nota publicada no blog www.polibiobraga.com.br, emoldurada sob foto colorida do Palácio Piratini. O fotógrafo que assinou o flagrante chama-se Gustavo Mansur, funcionário do Governo do Rio Grande do Sul.

NOTA DO EDITOR
OS LEITORES QUE QUISEREM RESERVAR EXEMPLRES DO LIVRO "HOMOFOBIA E A QUESTÃO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO', ASSINADO PELO EDITOR, R$ 80,00 CADA EXEMPLAR, PODEM FAZER ISTO VIA WHATS 51.99945.9810. O PAGAMENTO SÓ SERÁ FEITO QUANDO DO ENVIO DO LIVRO, CUJA DATA DE PUBLICAÇÃO NÃO ESTÁ AGENDADA, MAS QUE OCORRERÁ AINDA NESTE SEMESTRE.

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