sábado, 13 de agosto de 2016

Situação fiscal das capitais deve piorar no segundo semestre

Nesta instigante análise produzida pela equipe de economistas do Bradesco, cuja condução é de Otávio de Barros, recebida ontem a noite pelo editor, fica claro que as 10 capitais que já divulgaram seus relatórios bimestrais, reportaram superávit primário de R$ 6 bilhões no primeiro semestre. Mas avisa: "No entanto, esse resultado tende a se reverter nos próximos meses. Fazendo uma simples simulação e mantendo a variação interanual observada neste primeiro semestre para o restante do ano, essas capitais entregariam um resultado negativo de R$ 3,9 bilhões em 2016, isto é, uma piora de R$ 10 bilhões. Em outra simulação, utilizando a variação anual esperada para as receitas e despesas da União, chegamos a um déficit semelhante para esses municípios, de R$ 3 bilhões".

Leia toda a análise:

Os municípios, considerando os dados completos do primeiro semestre, apontam para uma situação muito semelhante à observada para os estados e para a União. Em um momento em que as receitas estão caindo em termos reais e as despesas seguem regras rígidas que não permitem cortes expressivos, a piora das contas públicas tende a se acentuar. Assim, os municípios estão, em sua maioria, diminuindo os resultados primários obtidos. É por isso que muitos já pediram auxílio da União, tentando acordos para alongamento de dívida como aconteceu com os estados. A União não sinalizou disposição em negociar com os municípios por enquanto, até por falta de espaço fiscal do governo federal. A própria renegociação da dívida dos estados irá afetar positivamente as contas dos municípios – já que alguns estados estariam diminuindo o ritmo de transferências aos municípios, o que melhoraria com a renegociação.
Desempenho mais fraco da economia chinesa em julho reforça expectativa de desaceleração neste segundo semestre
- Há um ano, as preocupações com a China aumentaram diante do anúncio de que o regime cambial do país mudaria, levando a uma forte e rápida depreciação da moeda. Esse foi o gatilho para que a saída de capitais ganhasse força, ao mesmo tempo em que a economia começava a desacelerar de forma mais notável. O governo conseguiu apenas estabilizar a economia no início deste ano, com a intensificação dos estímulos monetários, injetando muita liquidez no sistema – o que levou a uma ampliação agressiva das concessões de crédito. Em paralelo, contendo a depreciação da moeda e aumentando o controle do fluxo, a saída de capital perdeu força.
- Com os dados de julho conhecidos nesta semana, parece que os riscos de desaceleração mais pronunciada da economia chinesa começam a crescer, ainda que a saída de capital tenha sido controlada e os mercados tenham se estabilizado.  Sabe-se que o custo das políticas mais frouxas foi o aumento da alavancagem e a postergação do ajuste da capacidade instalada, além da quase interrupção das reformas estruturais.
- Assim, na ausência de sinalizações mais claras sobre a condução da política econômica neste segundo semestre, podemos fazer duas apostas, sendo uma mais negativa e outra mais favorável para o crescimento de curto prazo. A primeira delas é que, diante dos riscos sistêmicos para o sistema financeiro e da pressão para que a reforma do lado da oferta avance, a desaceleração será mais forte do que esperávamos e a probabilidade de que o crescimento do PIB fique abaixo da meta de 6,5% vem subindo. Por outro lado, ‒ com uma chance maior do que a primeira aposta ‒ podemos assumir que, frente à transição política do Partido que acontecerá no ano que vem, a estabilização da economia será mais importante do que os ajustes estruturais e poderemos assistir a uma nova rodada de afrouxamento monetário e fiscal. Além dos debates relacionados à preservação do crescimento de curto prazo versus o ajuste estrutural de longo prazo, esperamos algum arrefecimento vindo do setor imobiliário e certa estabilidade do renmimbi ao longo deste segundo semestre. 
Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO 

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