Brasil falhou

 O reajuste do diesel mostra graves limitações na estrutura do mercado de abastecimento no Brasil. Os sucessivos governos federais e até mesmo a Petrobras não empreenderam expansão do parque nacional de refino e nem fortaleceram a presença em toda a cadeia do setor, o que inclui distribuição e comercialização.

O valor do diesel vendido às distribuidoras foi reajustado em R$ 0,38 por litro desde ontem. Já ocorria desabastecimento. A participação da Petrobras no preço do diesel B será, em média, de R$ 3,10. O diesel A é o vendido nas refinarias, antes de ser misturado a biocombustíveis. Já o diesel B é o comercializado nos postos ao consumidor final, depois de as distribuidoras efetuarem a mistura obrigatória.

O Brasil importa diesel, embora seja autosuficiente na produção de petróleo

O gargalo na região do Estreito de Ormuz  pressiona a oferta de petróleo no mercado internacional, o que eleva a cotação dos preços. Nesta sexta-feira, o contrato futuro do barril de petróleo Brent, preço de referência, está negociado perto de US$ 100 (equivalente a cerca de R$ 520). Há duas semanas, a cotação beirava US$ 70. Ou seja, em 15 dias subiu cerca de 40%. O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200.

Saiba por que o Brasil importa diesel, gasolina e gás de cozinha

O Brasil importa majoritariamente diesel, seguido por gasolina (e nafta) e GLP (gás de cozinha). Embora seja um grande produtor de petróleo, o país importa esses derivados porque sua capacidade de refino não supre a demanda interna e não processa todo o tipo de óleo cru extraído, importando cerca de 25% do diesel consumido. 

Os combustíveis importados e derivados de petróleo incluem principalmente:

Diesel: É o derivado mais importado, com grandes volumes vindos da Rússia, Estados Unidos, Arábia Saudita e Emirados Árabes.

Gasolina A: Importada para compor a mistura final de combustíveis.

GLP (Gás Liquefeito de Petróleo): Gás de cozinha e industrial.

Petróleo Bruto: Petróleo do tipo mais leve, vindo frequentemente da África e Oriente Médio, para refino em refinarias específicas. 

As importações são necessárias devido ao "descasamento" entre o petróleo extraído (pesado) e a capacidade das refinarias brasileiras, que não conseguem processar volume suficiente para atender à demanda por combustíveis nobres como o diesel. 


Dica do editor - Conheça os bons efeitos do SUS Gaúcho, menos de um ano depois de sua criação

 O SUS Gaúcho foi criado para cooperar com o SUS, uma vez que este sistema público de assistência à saúde falha tremendamente em muitos caos de atendimento especializado. O objetivo do SUS Gaúcho é a redução em até 70% das maiores filas por consultas especializadas eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS). Foi graças ao SUS Gaúcho que a fila de pacientes no Estado à espera de uma primeira consulta em oftalmologia geral adulto foi reduzida em 61% nos últimos seis meses, mesmo com o aporte de poucos recursos (R$ 1 bilhão para este ano). Eis o que informa o governo estadual:Em setembro do ano passado, mês de lançamento do programa, havia 112.472 pacientes na fila da especialidade no Rio Grande do Sul. Em março de 2026, o número é de 43.854.

A redução é ainda maior em relação a abril de 2025, quando 133.886 pacientes aguardavam a primeira consulta, atingindo 67%. Já em ortopedia de joelho, a segunda maior fila no Estado, houve um recuo de 54% em relação a setembro (de 19.788 para 8.942) e de 57% desde abril do ano passado, quando eram 20.818.

O programa priorizou o aumento da capacidade de atendimento, com a ampliação de ambulatórios, a otimização da regulação das consultas especializadas e o monitoramento contínuo das listas de espera.