quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Astor Wartchow - A esquerda que a direita gosta

A esquerda que a direita gosta
Astor Wartchow
Advogado

      A maioria dos simpatizantes e militantes do que se denomina de pensamento/ideologia de “esquerda” acredita no poder político e econômico da estatização de meios de produção, serviços e de reservas estratégicas, como petróleo, ferro, bauxita e outros.
      Como exemplo, há quem ainda defenda a Petrobrás, histórico antro de corrupção, como alertava há muitos anos o jornalista Paulo Francis. Anacronicamente, uns têm saudades da CRT e da Caixa Estadual. Pode isto, Arnaldo?
      Não duvido da sua boa fé e ideais de igualdade social e poder nacional. Porém, suas idéias estão enraizadas no passado distante e analógico, quando não havia tamanha competição internacional e tecnológica.
      Mas há algo pior do que a não atualização e compreensão da dinâmica e do saber econômico-social. “Sem querer querendo” (parafraseando o cômico Chaves) fazem o “jogo” das ricas e poderosas corporações do serviço publico estatal.
      De modo que hoje há uma grave questão ideológica não resolvida no campo da esquerda brasileira, qual seja: ao defender estes feudos corporativos, serviços e produtos estatizados, a pretexto de interesses estratégicos nacionais, a quem servem os partidos de esquerda?
      Mais do que nunca é o momento de realizar uma reflexão sobre o serviço publico e as estatais, por exemplo, e sobre o que queremos para o Brasil e o povo brasileiro.
      Sugestões para a reflexão? Há que se distinguir graves e profundas diferenças entre o que é idealizado (ideológica-política-partidariamente) e a realidade objetiva.
      Alguém tem dúvidas sobre a não qualidade e eficácia da intervenção estatal na economia e nas relações sociais? E sobre o fartamente demonstrado custo social (às vezes, desastroso) dessa ação?
      Uma das ilusões mais onerosas e inconseqüentes da intervenção estatal decorre da suposição de que na ação estatizante a conversão de uma atividade privada permitiria ganhos individuais de bem-estar social.
      É um erro conceitual. A intervenção estatal soma(tiza) todos aqueles custos  típicos da iniciativa privada – mobilização de capital financeiro e material, projetos e administração em geral, mais os custos do “lobby” e da corrupção.
      A corrupção e o desperdício são inerentes ao estado e aos processos de (inter)mediação, agregados aos custos adicionais determinados pela burocracia, incompetência e arbitrariedades.
      Cada ato que incrementa a intervenção estatal - e conseqüente aumento da carga tributária - caminha em sentido contrário da solução dos problemas e do necessário enriquecimento popular e empoderamento da sociedade.

       Infelizmente, a esquerda brasileira continua confundindo regulação e ação de estado com tamanho de estado. E resulta por ser a favor das corporações e favorecedor do jogo obscuro e fraudulento que ocorre nos núcleos do poder econômico estatizado.  

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