quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Artigo, Pedro Luiz Rodrigues - O novo picolé de chuchu


Haddad cada vez mais parece Alckmin
Compreensivelmente, o comando do Partido dos Trabalhadores está preocupado com  o sofrível desempenho de Fernando Haddad na campanha eleitoral.
Além de não atrair novos eleitores, Haddad tem visto o índice de rejeição a seu nome alcançar níveis inimagináveis. A pesquisa do IBOPE divulgada em 15 de outubro apontou o nível dessa rejeição: 47% (diante dos 35% atribuídos a Bolsonaro).
Parte dessa situação pode ser atribuída ao próprio Haddad, que tem um não-sei-o-quê dos políticos tradicionais do PSDB de São Paulo, que o torna pouco convincente aos eleitores de outras partes do País.
Já começam a pipocar, aqui e ali, comparações entre o estilo de Haddad com o de Geraldo Alckmin, tanto no sentido de que os dois têm boa formação, quanto no de que compartilham de uma incapacidade natural de empolgar o eleitor. Além do tom de voz,  um tanto professoral, Haddad tem  também o mesmo hábito do ex-governador de SP,  de ficar desfiando números e realizações como gestor público.
Serra (assim como Alckmin, ambos políticos de inegáveis qualidades) tinha esse mesmo problema de comunicação com os brasileiros de fora de São Paulo.  Nesse quesito, FHC, com sua sabedoria e seu charme, continua como a grande exceção num partido onde todos adoram andar de salto alto.
Mas a principal responsabilidade pela trajetória claudicante de Haddad nesta campanha eleitoral cabe, sem dúvida, ao próprio PT, não só pelos sucessivos erros que vem cometendo, de natureza tática, como a falha estratégica de não enfrentar de peito aberto seu grande ponto fraco: a mancha de corrupção e de desonestidade que marcou grande número de seus principais dirigentes.
É aquela velha história de “presunção e água benta, cada um toma a que quer”. E o PT, embora se aproximando mais recentemente da Igreja, tem preferido mesmo a presunção.
Quem será, no Partido dos Trabalhaodrs, o responsável por tantas e seguidas pisadas na bola? O próprio Lula?
Primeiro foi aquela enorme demora em definir o nome de seu candidato à Presidência. Depois, a esnobação contra Ciro Gomes,  não o convidando para encabeçar a chapa – na qual Haddad ficaria de vice. O resultado foi colocaro ex-Ministro da Educação numa campanha que de antemão ele sabia que não poderia vencer.
O resultado dessa trapalhada está aí, atormentando os líderes petistas.  Agora, no segundo turno, Ciro foi passear na Europa, mandando uma banana para o PT, enquanto nos Estados, o PDT adere em massa às hostes do adversário. Seu irmão, Cid Gomes, irritado com as trapalhadas do PT, acusou o partido de ser responsável por cavar sua própria sepultura.
O modo presunçoso como trataram Fernando Henrique Cardoso ao longo dos últimos 16 anos, recebeu agora o troco de volta. Nos governos Lula e Dilma o governo FHC foi vilependiado pelos mesmos petistas que agora lambem seus sapatos à busca de apoio tardio. FHC disse que seu eventual apoio a Haddad não será incondicional,
O ex-chanceler Celso Amorim, responsável por buscar a influência de parte da imprensa e da intelectualidade internacionais a favor do candidato Haddad, continua a propagar por todo lado que apesar de julgado e condendao, o corrupto não é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sim quem o prendeu e o julgou.
Nos últimos dias, Amorim tem ligado para ex-dirigentes que foram amigos de Fernando Henrique Cardoso, como caso do chileno Ricardo Lagos, pedindo-lhes interceder junto a FHC para que este tornasse explícito seu apoio ao candidato do PT. Nosso ex-presidente não gostou da manobra.
Outro desses erros foi o PT  mudar a cor da embalagem de seu candidato,  do tradicional vermelhão para o verde e amarelo, que simplesmente já se tornara a marca registrada da campanha de Bolsonaro. Muito menos ajudou Haddad a supressão da fotografia de Lula nas fotos da campanha.
Se não fosse o candidato de um grande partido disciplinado, cujos afiliados obedecem sem questionar as ordens de seus comandantes, por mais estapafúrdias que sejam,  Haddad não teria sequer chegado ao primeiro turno.
Vencer as eleições é ainda possível, desde que Haddad se disponha  fazer o que deve ter feito antes de comungar recentemente: confessar. Não os seus eventuais pecados, pois isso é coisa entre ele e Deus, mas os pecados de seu partido. Reconhecer, como já o fez o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que o PT comandou  a maior máquina de corrupção já instalada no Brasil seria um gesto apreciado. Como penitência, aceitar a prisão dos corruptos e promover  a devolução do dinheiro surrupiado.
Este seria um gesto arrojado e corajoso por parte de Haddad. Se assim o fizesse, surgiria como o líder de um novo PT passado a limpo, com aquele cheirinho de honestidade que tinha quando foi fundado em 1980.
Pedro Luiz Rodrigues é diplomata e jornalista.

2 comentários:

  1. ESSE ARTIGO É ESCRITO POR UMA MENTE COMUNO FASCISTA TUCANA FABIANA! JÁ DEU PARA SENTIR O BABA OVO LAMBENDO AS BOLAS DO FHC E DE SUA LAIA CORRUPTA1 E AINDA SENTE CERTAS SIMPATIAS PELA FACÇÃO OS PETRALHAS! INTRAGÁVEL!

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