terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Artigo, Astor Wartchow - O desafio principal


- O autor é advogado​, RS.

Nascido em Madrid, Jorge Semprún (1923-2011) foi um premiado escritor, roteirista de cinema, politico e intelectual espanhol. Morou muito tempo em Paris, onde produziu seus principais livros, roteiros e pensamentos. Socialista convicto e atuante, destacou-se na resistência francesa ao nazismo.​
Numa entrevista de 2009, Semprún criticou os políticos (que define como atores por opção política e ideológica) que se fazem de vítimas. Também manifestou grande preocupação com a baixa qualidade representativa e o expressivo crescimento das abstenções populares no processo eleitoral.​
Denominava o respectivo período como de lassidão (o que significa cansaço, exaustão, prostração e desinteresse). Dizia: “(...) o maior perigo é a lassidão, o desencanto, a indiferença (...), e esse perigo vem de tudo o que não oferecemos ideologicamente à juventude (...). Oferecemos à juventude coisas que lhe interessam muito (...), mas não lhe oferecemos um projeto comum”.​
Embora à época (2009) já havia sinais eleitorais evidentes, nesta entrevista Semprún praticamente profetizou o que viria a ocorrer ultimamente na Europa e na América Latina, qual seja: o esgotamento da esquerda. “O fim de um ciclo de predominância da esquerda e da social democracia”, disse. ​
E talvez sua manifestação mais importante: “É paradoxal, pois pode fazer pensar que, num momento de crise global do sistema capitalista, a solução social democrata pode voltar para primeiro plano, a solução reformista equitativa e equilibrada. Mas não, no momento em que mais precisamos, não encontramos. É um fenômeno de grande importância histórica, com um fim muito difícil de prever”.​
O expressivo número de abstenções, votos brancos e nulos que nós brasileiros conhecemos nas últimas eleições confirmam a profecia de Semprum: o desencanto popular, e, como conseqüência imediata, a baixa qualidade representativa.​
Se nossos militantes partidários e líderes político-intelectuais, especialmente, estudassem um pouco mais, e, por consequência,  refutassem (por princípio e convcção)  demagogos e populistas, principalmente, talvez não repetíssimos os erros que a história alheia já demonstrou.​
A predominância da mesmice retórica, da idolatria e dos discursos vitimistas (principais "alimentos" dos demagogos e populistas), em detrimento de abordagens propositivas  e consequentes, face à gravidade da situação estadual e nacional, confirma a predileção nacional por demagogos e populistas. ​
Superar esta vocação negativa e histórica é nosso principal desafio!​
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