quarta-feira, 27 de julho de 2016

Espaço para corte de juros depende de melhoras adicionais nas projeções de inflação, conforme indicado na ata do Copom

A ata da reunião de política monetária do Banco Central, divulgada ontem, enfatizou que o espaço para corte de juros depende de melhoras adicionais nas projeções de inflação, especialmente no modelo com as premissas de mercado. O recado central da ata do Copom é de que há incertezas na condução da política monetária e, por isso, o Comitê considera importante conduzi-la de modo que as projeções de seus modelos indiquem que a inflação encontra-se no centro da meta. O Comitê também vê como risco o processo inercial decorrente de um longo período de inflação acima da meta, o que tende a produzir maior persistência de juros elevados. Logo, infere-se desse diagnóstico que o corte de juros explicitado nas projeções do Focus, da ordem de 3,25 p.p., não é compatível, hoje, com a convergência da inflação para o centro da meta, uma vez que gera uma projeção de 5,3% para o IPCA de 2017.  Além disso, o Comitê se diz insatisfeito com os avanços observados até agora no processo de desinflação, apesar de reconhecer melhora corroborada pela queda das expectativas. Do lado mais favorável do balanço de riscos, o Copom avalia que a desinflação de serviços pode surpreender, dada a ociosidade na economia, e os preços dos alimentos podem ceder mais rapidamente. Em relação ao cenário macroeconômico, o Comitê identifica alguma estabilização da atividade no curto prazo, com destaque para a esperada interrupção da queda dos investimentos e da produção industrial. Somado a isso, as projeções do Copom evoluíram favoravelmente desde sua última reunião e devem seguir nessa trajetória, o que deve contribuir para que o ciclo de corte comece em 2016. Em seu balanço de riscos, ganhou novamente destaque a política fiscal, na qual a implementação de ajustes constitui, simultaneamente, um risco e uma oportunidade para o processo desinflacionário. Segundo o Banco Central, a percepção de postergação da aprovação e adoção de medidas fiscais, ou mesmo seu abandono, teria impacto negativo na trajetória de convergência à meta. Em contrapartida, caso os ajustes sejam aprovados e implementados, poderá ocorrer melhora da confiança e redução das expectativas de inflação. Diante disso, o Comitê, por unanimidade, optou pela manutenção da taxa Selic em 14,25% na reunião da última semana, reconhecendo os avanços no processo de desinflação, mas ainda preocupado com a não convergência das projeções, segundo o modelo de mercado, para o centro da meta em 2017. Com isso, acreditamos que o Copom deva optar pela manutenção da Selic na próxima reunião, atentando-se à evolução do cenário. No entanto, a expectativa de melhora da inflação acumulada em doze meses, bem como das expectativas, os avanços esperados na tramitação das reformas fiscais e alguma estabilização da taxa de câmbio reforçam nossa visão de que o comitê deverá iniciar um novo processo de redução da taxa Selic a partir de outubro. Assim, esperamos que a taxa básica de juros termine este ano em 13,25%.

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