Artigo, Eugênio Esber, Zero Hora - Feche-se o STF, crie-se o TC

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Quem não dorme em serviço percebeu, lá em março de 2019, com o inquérito 4781, que o Supremo Tribunal Federal inaugurava uma juristocracia à margem das leis e da Constituição. Uma ditadura, em português de mercearia. Por conveniências de ocasião, distintas mas convergentes, setores da vida política, do ministério público, da advocacia, da academia e da imprensa deram passagem livre e até teceram loas ao avanço do autoritarismo sem freios nem contrapesos, sob um pretexto consequencialista.

A democracia "precisava" ser colocada em coma induzido para receber alta, firme e forte, mais à frente. Tudo haveria de dar certo porque, vejam, o cirurgião, desta vez, não traria sob o jaleco uma farda, mas uma toga. E assim, sob os bisturis de uma junta médica formada por tipos como Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e o supremo caudilho do tribunal, Gilmar Mendes, a República foi operada. Sete anos e centenas de prisões depois, o inquérito inaugural permanece. O tubo não foi retirado. O paciente segue inconsciente e submetido. O país é refém da junta. Ainda.

O alarido em frente ao hospital se avoluma. Uma pesquisa Meio/Ideia revelou que a maciça maioria dos brasileiros já não dá nenhum crédito moral à atual composição do Supremo Tribunal Federal, sem dúvida a pior de sua história. A imprensa, que pelo silêncio de seus setores mais influentes deu escolta a evidentes violações de direitos humanos cometidas por Moraes, como a que resultou na morte de Clezão, agora se junta ao coro de críticos do STF com maior estridência.

É que nesta semana Moraes expediu mandado de busca e apreensão contra um jornalista maranhense que ousou denunciar o uso irregular, pelos familiares do ministro Flávio Dino, de um veículo oficial e privativo do Tribunal de Justiça do Maranhão. A reportagem de Luís Pablo não foi desmentida, porque é procedente. Mas Moraes, ao confiscar o telefone e o computador do jornalista, pode descobrir suas fontes e fazer uma pesca predatória. Tudo ilegal e abusivo, claro. Mas nada diverso do que Moraes tem feito desde 2019, sob aplausos ou mudez complacente - inclusive de jornalistas.

O escândalo do Banco Master e suas conexões com o crime organizado e a corrupção de altas figuras da República implicam até aqui Toffoli, Moraes e, pelo notório esforço para blindá-los, Gilmar Mendes. A imagem da instituição é insalvável com o que já se sabe, e ainda não se se sabe tudo. O país precisa de uma nova e idônea corte voltada apenas à salvaguarda de nossa carta magna, sem imiscuir-se em temas criminais.

A eleição para o Congresso, e particularmente para o Senado, é o pontapé inicial para fechar o STF e edificar o TC - Tribunal Constitucional.




Artigo, especial - Os inúteis engenheiros de obra pronta e engenheiros do lacre


Este artigo é do Observatório Brasil Soberano

A política brasileira consolidou nos últimos anos duas figuras que, embora pa reçam distintas, operam como as duas faces de uma mesma moeda: o “enge nheiro de obra pronta” e o “arquiteto do lacre”. O engenheiro é o mestre da análise retrospectiva, surgindo apenas quando o cenário já está definido e os erros políticos produziram consequências reais. Enquanto o articulador assu me riscos sob a neblina da incerteza, mas com propósito definido, este perso nagem prefere o conforto do retrovisor, explicando com autoridade absoluta como tudo “deveria ter sido feito”. No ambiente digital, essa postura rende divi dendos imediatos através do famoso “eu avisei”, alimentando bolhas com uma lucidez que só existe após o fato consumado. Ao lado dele, atua o arquiteto do lacre, o mestre da performance no presente, movido pelo propósito exclusivo de alimentar o próprio ego. Ele entra em uma discussão focado em produzir o corte perfeito — a frase de efeito que gera en gajamento e a “mitada” que tenta seduzir o algoritmo — em vez de convencer o adversário ou construir um consenso viável. Para tal personagem, a política é um palco de entretenimento onde o sucesso é medido em métricas de vaidade. Essas duas figuras se retroalimentam em um ciclo vicioso: o arquiteto do lacre cria barulho e confusão durante o processo, priorizando o brilho individual so bre a estratégia coletiva, enquanto o engenheiro de obra pronta aparece logo em seguida para capitalizar sobre o desfecho, transformando até as derrotas em conteúdo para suas redes. A contribuição real desses personagens é nula. Essa dinâmica cria um abismo perigoso entre a militância digital e a realidade institucional. A política real acontece no terreno menos glamouroso das co missões, das articulações internas e das disputas por espaços que raramente ganham destaque no TikTok ou no Instagram. Existe uma contradição central nessa conduta: muitos desses atores sustentam sua relevância no capital polí tico do bolsonarismo, mas, na prática, frequentemente sabotam as estratégias e as lideranças definidas pelo próprio campo em troca de alguns minutos de fama ou na esperança de herdar um capital político ao qual não têm direito. A política eficaz exige hierarquia, coordenação e disciplina estratégica, pilares constantemente atropelados pelo desejo de brilhar sozinho. O Brasil entra em 2026 diante de uma das eleições mais decisivas de sua histó ria, um embate de valores entre o bem e o mal no qual o amadorismo e o nar cisismo são luxos que o país não pode pagar. Se a prioridade fosse realmente a vitória política, a energia estaria concentrada na construção de resultados e na viabilização de maiorias parlamentares, e não na produção de conteúdos que apenas massageiam o ego da própria bolha. Likes e visualizações geram uma sensação ilusória de poder, mas são incapazes de produzir resultados efetivos no Congresso ou de ajudar a governar uma nação e transformar a realidade de mais de 200 milhões de brasileiros. A vitória em 2026 exigirá soldados alinha dos e estrategistas focados, deixando para trás tanto os que explicam o erro quanto os que transformam a política em um espetáculo vazio de resultados, e atrapalham quem realmente quer fazer algo de bom

CPI

 A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Furto de Fios da Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, nesta segunda-feira, o plano de trabalho que guiará as investigações sobre os crimes que têm provocado interrupções de serviços públicos e prejuízos à cidade. O cronograma inicial da comissão já prevê a convocação do prefeito Sebastião Melo para a primeira rodada de oitivas, que terá coo foco avaliar as ações do município no enfrentamento ao problema.

Presidente da CPI, o vereador Ramiro Rosário (NOVO) afirma que a investigação pretende ir além dos autores diretos dos furtos e atingir quem sustenta financeiramente o crime. 

- Porto Alegre não pode continuar refém de quadrilhas que desmontam a cidade para vender cobre e metal no mercado ilegal. A CPI vai atrás de toda a cadeia envolvida, quem furta, quem transporta e principalmente quem compra. Quem alimenta esse crime precisa saber que a investigação vai chegar até eles.

Instalada em março, a CPI terá prazo inicial de 120 dias para conduzir os trabalhos, podendo ser prorrogada. A investigação foi criada para apurar o crescimento dos furtos de fios, cabos e materiais metálicos em Porto Alegre e propor medidas legislativas e administrativas capazes de reduzir os crimes e proteger serviços essenciais da capital.


INSS manda banco C6 devolver R$ 300 milhões aos aposentados. Os consignados envolvem todo o sistema bancário

O banco C6 é apenas a ponta do iceberg, porque a questão dos empréstimos consignados tem dimensões bilionárias, fraudes de todo gênero e envolve todos os bancos.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu novos empréstimos consignados do banco C6 e exige que ele devolva R$ 300 milhões a segurados. A decisão foi tomada após a Controladoria-Geral da União (CGU) identificar pelo menos 320 mil contratos de consignados com seguros e pacotes de serviços embutidos, em uma espécie de venda casada. Este tipo de operação reduz o valor líquido disponibilizado pelo banco a aposentados. O INSS proíbe a inclusão de custos extras, como taxas, prêmios e seguros que não tenham a ver com os empréstimos.

O C6 tinha acordo com o INSS.

Entre 2020 e 2025, o C6 faturou R$ 20 bilhões com créditos consignados.

O banco chegou a ser condenado judicialmente a indenizar aposentados e firmou acordo com o Ministério Público Federal para cessar fraudes nesses contratos.