domingo, 10 de fevereiro de 2019

Artigo, Joshua Benton - New York Times chega perto de se tornar uma empresa majoritariamente digital


Veículo divulgou renda de 2018. Resultado é de US$ 1,748 bilhões

O sonho de qualquer veículo que queira durar mais do que o jornalismo impresso é transformar seu modelo de negócios em digital. O New York Times está quase lá.

O Times anunciou seus resultados financeiros do 4º trimestre e do ano de 2018 na manhã de 4ª feira (6.fev.2019), e há muitas boas notícias. (Uma rápida heurística que eu gosto de usar em relatórios de lucro de empresas jornalísticas é procurar no press release qual é a proporção do uso das palavras “digital” e “impresso”. Hoje: 40 a 17.) O mais importante: o Times gerou USD$709 milhões em renda digital em 2018, aproximando-se do seu objetivo ambicioso, planejado em 2015, de atingir USD$800 milhões em receita digital até 2020. Chegarão lá com poucas dificuldades –desconsiderando-se a possibilidade de 1 colapso econômico, guerra civil, etc

Irradiando confiança, o CEO do Times, Mark Thompson, apresentou 1 novo plano: “aumentar nosso número de assinaturas para mais de 10 milhões de assinantes até 2025”. (Está mais formalizando do que anunciando o objetivo –10 milhões de assinantes tem sido uma aspiração Timesiana já há alguns anos. Eles contam com 4,3 milhões agora, contando as versões digital e impressa).

O Times faturou 1 total de USD$ 1,748 bilhões em 2018, o que significa que a receita digital representa mais de 40% do total. Pelo caminhar das tendências do digital e do impresso, não vai demorar muito para chegar a 50% –minha aposta é o 2º trimestre de 2020. (O conselho do Times projeta que a publicidade digital e a renda em circulação cresçam em números de “meia-adolescência” [15 a 17] deste ponto em diante, com renda geral crescendo somente em “dígitos singulares baixos e médios.”)

Para mostrar o progresso que o Times já fez em sua transição, eu busquei a porcentagem de sua publicidade e receita em circulação no meio digital a cada ano desde 2013, quando o veículo começou a contabilizar a renda digital separadamente. O padrão é óbvio e positivo –a cada trimestre, o Times fica menos dependente da receita que vem da edição impressa.

 Eu disse em novembro que o Times ultrapassaria US$ 600 milhões em publicidade digital e renda em circulação em 2018; este salto extra para US$ 709 milhões veio em grande parte da categoria “outras receitas” do Times, o que inclui afiliados (obrigada, Wirecutter) e alguma receita de licença digital. A “outra” receita,  no digital, somou quase USD$50 milhões em 2018.

Um objetivo comum em círculos de jornais há poucos anos atrás era de algum dia poder ganhar dinheiro suficiente com o digital para cobrir os custos da redação. Bom, atualmente, o Times poderia pagar pela redação duas vezes somente com o dinheiro do digital. O que deve explicar por que a redação continua crescendo –o Times anunciou que agora emprega 1,600 jornalistas, 1 máximo histórico.

Enquanto isso, a empresa diz ter USD$ 826 milhões em dinheiro vivo. Mesmo contando com o custo esperado de comprar de volta seu prédio neste ano, o Times tem dinheiro suficiente para considerar aquisições significativas, se encontrarem valor. Tem algum outro Wirecutter por aí que poderia se encaixar dentro dos valores do Times e diversificar o faturamento? Há algo na Europa que poderia aumentar o número de assinantes por lá? Um estúdio de podcast que poderia multiplicar o sucesso do The Daily?

Como eu aconselhei da última vez: “Pegue 98% da energia que você coloca em preocupações sobre o futuro do Times e canalize-a para preocupações sobre o seu jornal local, que está muito provavelmente aproximando-se de uma crise existencial”.

*Joshua Benton é diretor de jornalismo do Nieman Lab.

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