Por Daniel Benjamin Barenbein
Jornalista | Indignado com a hipocrisia seletiva em nome dos “direitos humanos”
Gostaria de fazer uma recomendação pública ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao vice-presidente, Geraldo Alckmin.
O mesmo Lula que encontrou tempo e palavras para fazer elogios fúnebres ao carniceiro de Teerã, o então presidente do Irã, morto em um acidente de helicóptero.
O mesmo Alckmin que fez questão de comparecer à posse do novo presidente iraniano, enquanto, nas ruas e nos palcos oficiais, ecoavam gritos de “morte aos Estados Unidos” e “morte a Israel”.
Pois bem: já que souberam estar presentes quando era conveniente politicamente, talvez fosse hora de irem novamente ao Irã — agora, in loco.
Que tal ver de perto o que o regime que vocês legitimaram diplomaticamente está fazendo com seu próprio povo?
As prisões em massa, as execuções, os corpos empilhados em hospitais, o uso de armas de guerra contra manifestantes, o apagão deliberado da internet, o terror imposto a mulheres, jovens e famílias inteiras.
E fica uma pergunta inevitável:
👉 agora não se fala mais em genocídio?
👉 Esse vocabulário indignado desaparece quando as vítimas não servem à narrativa política do momento?
Porque, curiosamente, quando o regime é “amigo”, a morte em massa vira estatística.
Quando não é, vira discurso moral.
Talvez uma visita agora — sem tapete vermelho, sem discursos ensaiados e sem fotos protocolares — ajudasse a explicar ao povo brasileiro qual é exatamente o conceito de “direitos humanos”, “democracia” e “vida humana” que orienta a política externa do atual governo.
É fácil fazer discursos bonitos à distância.
Difícil é olhar nos olhos das vítimas do regime que se escolheu apoiar.
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