quarta-feira, 6 de julho de 2016

Artigo, Astor Wartchow - Capturado e algemado

Mais do que nunca, como em tempo algum  de nossa história, o estado brasileiro encontra-se tão "capturado" e, consequentemente, o povo tão "algemado". Retomo um tema aqui várias vezes tratado. Desde os primeiros artigos da coluna.
 Assim entre aspas, “captura” significa - na administração pública e teoria política - a subordinação, a submissão, o “sequestro” da coisa pública, do órgão e função de Estado, aos interesses corporativos e privados.
 Através de atos de omissão, de prevaricação e de corrupção ativa e passiva. É a tomada do poder nas diversas esferas públicas e sua transformação em vantagem e valor econômico particular.
 A "captura" e as consequências danosas se apresentam de modo proporcional a dimensão da intervenção do Estado nas relações sociais e econômicas. .
São inúmeras as áreas e ações públicas que poderiam estar privatizadas e atuando em ambiente competitivo e concorrencial.
Municípios, Estados e União não têm que ser dono de coisa alguma. Têm, isso sim, que ser fortes e coercitivos. Regulamentadores e fiscalizadores, principalmente. 
A sempre lembrada (e eleitoreira!) preservação de interesses estratégicos não depende de exploração estatal. São interesses que podem e devem ser operados em termos de mercado competitivo.
Este assunto “estatização versus privatização” é uma pauta superada pela decadência dos modelos, pela aceleração do sistema mundial de trocas, pela globalização econômica e financeira, e pela competitividade e abertura comercial.
Pagamos um preço imenso para manter estes feudos de privilégios e irregularidades. Aliás, de competitividade, produtos e serviços precários e discutíveis. E de notória e desavergonhada utilização e exploração político-partidária.
Conjunto de atos e natureza de fatos que, de algum  modo, explica nosso atraso no concerto mundial das principais nações do mundo, e a imensidão de problemas a resolver.
Se continuarmos neste impasse, níveis de idéias e debates superados, nossas dificuldades não diminuirão. Basta lembrar o que tem sido dito demagogicamente nas campanhas eleitorais.
Porém, honesta e inocentemente, muitos cidadãos realmente acreditam que o “petróleo é nosso”. E que determinados bancos são do Brasil.

E, pasmem, "algemados" pelas idéias, ainda se surpreendem com a corrupção e as negociatas. Como se uma coisa fosse independente da outra!  

Nenhum comentário:

Postar um comentário