terça-feira, 18 de outubro de 2016

Flávio Dutra - Plínio

PLINIO.

Confesso, sinceramente arrependido, que logo que o conheci não simpatizei com o Plinio Zalewski. Mas a convivência nos tornou amigos e, mais do que isso, fiquei fã dele, invejoso dos textos bem construídos, da argumentação consistente, das ideias que desafiavam o senso comum, enfim, da erudição que o diferenciava dos jaguanés da escrita, como eu. Sempre que podia pilhava ele e acho que ele gostava da minha tietagem. Nos últimos meses, em função da campanha política, nossas relações se estreitaram e a cada encontro eu me aproveitava, sem que ele se desse conta, e me encharcava das suas teses, dos seus posicionamentos e das suas sugestões, sempre expressas com a mansidão dos que não precisam berrar para se impor. Era incisivo só nos seus artigos. Mas eu falhei miseravelmente com o Plínio. Falhei quando não valorizei o artista sensível que ele, na verdade, era. E falhei mais ainda quando não percebi a intensidade da angustia que o consumia nas últimas semanas e nada fiz para impedir que ele se fosse de forma tão trágica. Nem a mais importante das campanhas políticas vale a vida de um companheiro.

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