quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Artigo, Rogério Mendelski, Correio do Povo - O lado B de Che Guevara

Artigo, Rogério Mendelski, Correio do Povo - O lado B de Che Guevara
Se a vida agitada de Che Guevara fosse um disco de vinil (está na moda, outra vez), a esquerda só ouviria o lado A – um direito seu -, mas mesmo assim ainda existiria o lado B, cujo áudio faz mal aos ouvidos de sua incomensurável legião de admiradores. Passados 50 anos de sua morte, Che ainda embala o berço de sonhadores com um socialismo rigorosamente utópico, o tal “socialismo democrático”, como se democracia fosse compatível com socialismo.
O lado B de Che é sinistro e, por isso mesmo, quando não ocultado é desmerecido e atribuído aos “inimigos fascistas” do médico argentino que lutou pela derrubada de Fulgêncio Batista em Cuba, junto com Fidel Castro e milhares de outros barbudos que desceram de Sierra Maestra, em 1959.
A personalidade de Che não admitia discordâncias e até a cidadania cubana ele recusou, quando polemizou com Fidel Castro na questão de internacionalizar os “ideais” da revolução. Che foi cidadão cubano por apenas seis anos. Em 1959, o presidente de mentirinha de Cuba, Manuel Urrutia, deu-lhe cidadania cubana “pelos serviços prestados à nação” e em 1965 escreve uma carta a Fidel renunciando a seus cargos e à cidadania para dedicar-se à revolução em outras plagas.
Em 1964, discursando na ONU, Che não escondeu a verdade sobre os fuzilamentos em Cuba. “Fuzilamos, estamos fuzilando e seguiremos fuzilando até que seja necessário. Nossa luta é um luta até a morte. Nós sabemos qual seria o resultado de uma batalha perdida e os vermes também têm de saber qual o resultado da batalha perdida hoje em Cuba”. A declaração de Che vinha com o atestado de ele ser o responsável pelos tribunais revolucionários quando mais de mil cubanos foram julgados e 500 condenados ao “paredón”.
E Che não apenas gostava de matar “vermes” – assim eram definidos os adversários da revolução – mas também era homofóbico. O escritor cubano Emílio Bejel em seu livro editado em inglês “Gay Cuban Nation”, na página 24, diz que Che “era um dos mais convictos líderes homofóbicos do período”. E uma prova de sua homofobia ocorreu na embaixada de Cuba, em Argel. Ao ver a estante de livros de autores cubanos deparou-se com a obra “Teatro Completo de Virgílio Piñera” e censurou o embaixador: “Como você pode ter o livro dessa bicha na embaixada?” Em seguida, atirou a obra pela janela. O lado B da vida de Che não tem chiados por que é pouco ouvido.
OPINIÃO DE INTELECTUAIS (1)
Em 2008, em Madri, o fórum “Cuba, Revolução e Homossexualidade” a escritora cubana Zoé Valdés lamentou o pouco conhecimento existente sobre a vida e a obra de Che Guevara. Bem distante da imagem oficializada, o guerrilheiro argentino de fato “propunha modelos de perfeição viril que condenavam a homossexualidade, a bissexualidade e a transexualidade”.
A OPINIÃO DE INTELECTUAIS (2)
O escritor Jacobo Machover lembrou do poeta José Mário, “uma das vítimas dos rigores das Unidades Militares de Ajuda à Produção (UMAPs) onde o regime de Fidel Castro reeducava os homossexuais”. José Mário fugiu de Cuba e morreu pobre e solitário, em Madri, no ano de 2002.
A PALAVRA DE CHE (1)
. “Para mandar homens para o pelotão de fuzilamento, não é necessário nenhuma prova judicial … Estes procedimentos são um detalhe arcaico burguês. Esta é uma revolução! Um revolucionário deve se tornar uma fria máquina de matar motivado pelo puro ódio. Nós temos que criar a pedagogia do Paredão!”
A PALAVRA DE CHE (2)

“Se qualquer pessoa tem qualquer coisa boa para dizer sobre o governo anterior, para mim é bom o suficiente matá-la. Na verdade, se o próprio Cristo estivesse no meu caminho eu, como Nietzsche, não hesitaria em esmagá-lo como um verme

2 comentários:

  1. Excelente texto do Rogério Mendelski. Lastimo apenas que seu programa na Guaíba é curto. Do início, lá na madrugada, ele divide com um jornalista muito fraco; depois surge um outro radialista de Brasília, de fala arrastada, que só diz "né Rogério..."; culmina às 8h, quando o programa termina. Surge a invasão de um radialista de voz rachada e petista.Desligo o rádio.

    ResponderExcluir
  2. Concordo com o comentario do UNKNOWN.

    ResponderExcluir