quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Marcelo Aiquel - A ARTE E A LIBERDADE

A ARTE E A LIBERDADE

         Caros amigos, neste meu artigo de hoje venho abordar um tema muito polêmico, especialmente depois das acaloradas discussões nascidas das recentes exposições “Queermuseum” (Santander Cultural, POA/RS) e “Bienal” (Masp, SP/SP).
         O que estamos assistindo é um verdadeiro festival de asneiras – comparado ao famoso FEBEAPÁ, crônica do brilhante Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo do escritor Sérgio Porto) e publicada nos anos 60 – ditas e repetidas por pessoas que pouco entendem ou nada sabem de Arte. A não ser de “fazer arte” (no sentido figurado, como explica a conhecida gíria popular). São opiniões de ideologia política pura.
         Pois bem, não me considero melhor que ninguém, mas fui educado pela minha falecida mãe que, além de haver cursado o Instituto de Belas Artes, era mestra na História da Arte. Depois de muito aprender em casa, tornei-me grande amigo (e sou até hoje, graças a Deus que nos mantém vivos e lúcidos) de um dos maiores experts em Arte do Brasil, um conhecido e respeitado marchand, e curador de grandes exposições, que também me inspirou e ensinou bastante sobre o tema ARTE.
         Além disso, e também de constantemente ler sobre o assunto, tive o prazer de visitar e admirar os mais famosos museus de arte do mundo (tanto antiga, como contemporânea e moderna).
         E eu tenho ficado literalmente pasmo com o volume de BESTEIROL que pessoas “ditas cultas” vem exprimindo em relação aos citados episódios recentes, como se entendessem um pouco – ao menos – do assunto.
         Parto da premissa (absolutamente VERDADEIRA) de que Arte é – sempre foi e sempre será – um “território livre”, onde os artistas expõe aquilo que imaginam ser capaz de demonstrar o que pensam.
         Mas, não posso ignorar que a liberdade de um tem limite restrito à liberdade do outro. Ou seja, (para os maus entendedores) a liberdade de uma pessoa termina; acaba; some; exatamente onde começa a liberdade da outra.
         Também é impossível construir um silogismo qualquer, sem a presença do necessário RESPEITO. E quando me refiro a isto, falo do respeito básico ao princípio universal da liberdade do seu semelhante. Ou seja, (novamente “desenhando” para os maus entendedores) o respeito ao direito individual de cada pessoa. Explicando melhor, a liberdade (qualquer que seja ela) não agrega jamais a “obrigação” de fazer algo que não se deseja.
         Assim funciona numa exposição de arte, como na vida, onde ninguém DEVE (ou pode) SER FORÇADO a fazer nada que não lhe interesse, ou que agrida a sua formação.
         Por esta singela razão, os maiores museus do mundo mantêm – em locais reservados e de acesso privado – as obras de caráter “dito” pervertido, que possam causar insultos a um determinado grupo ou que reflitam uma Arte não admitida como convencional.
         O que fica subentendido com estas salas privadas: são liberadas a todos, porém há a informação de que contém Arte “alternativa”, ou aquela cujas imagens agridem a moral e os bons costumes. Só entra quem quer!
         E, DATA MÁXIMA VÊNIA, não cabe discutir, aqui e agora, os limites da moral e dos bons costumes. Qualquer pessoa com mediana cultura geral sabe exatamente o que é moral e o que é imoral. Afinal, vivemos e fomos criados numa civilização que estabelece com exatidão os limites destes conceitos.
         Os tempos são outros, eu sei. Houve mudanças de comportamento (algumas tentadas “na marra”, enfiadas “goela abaixo”da população), mas o princípio de liberdade segue o mesmo.
         Concluindo: NAS ARTES TUDO É VÁLIDO. DESDE QUE RESPEITADOS OS DIREITOS À LIBERDADE DE OPÇÃO DE QUEM ADMIRA OU SIMPLESMENTE OLHA.
         VÊ QUEM QUER, SEM OBRIGAÇÃO NENHUMA E BEM AVISADO SOBRE O CONTEÚDO DE UMA EXPOSIÇÃO.
         Assim, ninguém será agredido nos seus princípios morais e/ou religiosos.

         Ah, e também acabariam as polêmicas, que só alimentam aqueles que precisam delas para viver.

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