quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Eleições presidenciais no Brasil


Francisco Ferraz
No plano dos significados,os eleitores brasileiros, ao eleger um presidente da República nãoescolhem um administrador e sim um líder político.
Não se escolhe um executivo testado e confirmado como competente para as funções. Escolhe-se alguém que se impõe aos eleitores como líder político, que sente a realidade como nós a sentimos mas que consegue expressarmelhor que nós este sentimento, em palavras que todos entendem e representar-nos neste sentir.
Ele é nós, com a capacidade que não temos, com os desafios que não saberíamos enfrentar, com a coragem, ousadia e determinação para realizar o que não conseguiríamos.
Numa eleição presidencial escolhemos pois o nosso representante e, sósecundariamente, o nosso governante, administrador, executivo.

Escolhemos por sua determinação de assumir nossos interesses mais caros; por sua liderança políticae capacidade de comandar o país.
Por isso os preferidos são candidatos fortes, que falam uma linguagem direta, simples, rude, mas resolutiva. Passam a impressão de que tudo é fácil. Basta querer. Os problemas ele resolve. Em consequência nossas eleições estão sempre mais próximas de lideranças populistas, semi carismáticas, demagógicas e autoritárias.
No passado não era muito diferente. Na década de 1950 eram Vargas no centro e à esquerda e Lacerda e a UDN à direita; na década de 1960 eram Brizola, Jânio e Lacerda; em 1989 os líderes eram Lula, Brizola eCollor,e não Ulysses ou Covas; em 2002 era Lula e não Serra; em 2006 era Lula e não Alkmin e dentro do PT o líder continuou sendo Lula e não Dilma.
Nesta listagem sobram dois presidentes que se elegeram sem aquelas características mais típicas do populismo: Juscelino e Fernando Henrique.
Juscelino, das três características possuía duas: populista e carismático; mas Fernando Henrique não tinha nenhuma das três, talvez a razão porque seu nome não é lembrado para, com a legitimidade de ex-presidente, ser convocado para resolver o impasse político de 2018, assim como foram Churchill, De Gaulle e Adenauer no pós guerra europeu
Fernando Henrique em 1994 conquistou a presidência predominantemente pelo sucesso do Plano Real implantar durante o governo de Itamar Franco, época em que ainda permanecia viva na memória o fracasso do Plano Cruzado de Sarney e do Plano Collor.
Não é por outra razão que “pega a estrada errada” quem entra na eleição acreditando que vai atrair milhões de votos com seu plano de governo, seus projetos econômicos ou suas reformas políticas e administrativas.

Equivoca-seo candidato cuja campanha se concentra nas promessas que faz – por mais necessárias que sejam as realizações prometidas. O eleitor, cada vez mais, dá sinais de que as recebe com muita descrença e como demagogia.

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