quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Artigo, Túlio Milman, Zero Hora - O dever de não protestar

O dever de não protestar
A Olimpíada é um espaço de paz, de respeito à diferença e de preservação do que existe de igual em todos os homens e mulheres do planeta. Para quem não entende isso, falar em Olimpíada e em democracia é falar grego
É oportunismo mesmo. Se fosse ignorância, seria menos preocupante. Ter direito de protestar não é salvo-conduto para a falta de educação e o egoísmo. 
Tanto faz se é Fora Dilma, Fora Temer, Libertem o Tibete, Yankees Go Home ou Catalunha Livre. Se começarmos a misturar esse tipo de política com Olimpíada, só uma coisa vai acontecer: a Olimpíada vai acabar. 
Durante mais de um século, países rivais e até mesmo inimigos desfilaram juntos, conviveram juntos e disputaram medalhas sob uma única bandeira: a branca com os aros coloridos. Esse intervalo de duas semanas patrocinado pelo esporte já foi palco de reaproximações e de negociações que salvaram vidas. Sempre quando as pessoas se encontram sob um pretexto elevado, crescem as chances de coisas boas acontecerem. 
Mesmo no Rio de Janeiro, existem incontáveis lugares para protestar. Todos fora das instalações olímpicas. Dentro dos ginásios, estádios, quadras, piscinas e pistas, só duas coisas importam: a confraternização entre os diferentes e o respeito fraterno a estas diferenças. É só por isso que a Olimpíada sobrevive. E é esta beleza que um punhado de tacanhos cheios de direitos e sem noção do dever está tentando matar. 
É muito egoísmo acreditar que nossas mazelas internas são mais importantes, durante os Jogos, do que as braçadas do Michael Phelps, os gols da Marta e o wazari da Rafaela Silva. E do que tudo que isso simboliza. 
Protestar é um direito. Mas cuidar do espírito olímpico é um dever. Por mais ingênuo que pareça, por mais comercial em que tenha se transformado o evento, por mais raiva que a gente sinta do Temer ou da Dilma. 
A Olimpíada é um espaço de paz e de convivência, de respeito à diferença e de preservação do que existe de igual em todos os homens e mulheres do planeta. Para quem não entende isso, falar em Olimpíada e em democracia é falar grego.
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