offoli deve se afastar do caso Master, defende editorial da Folha

Jornal afirma que ministro perdeu condições de imparcialidade e critica sigilo, decisões “abstrusas” e a ida do inquérito ao STF

16 de janeiro de 2026, 04:59 h

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Presidente do STF, Dias Toffoli

Presidente do STF, Dias Toffoli (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

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247 – O jornal Folha de S.Paulo publicou um editorial afirmando que o ministro Dias Toffoli “perdeu todas as condições necessárias para arbitrar com imparcialidade e diligência técnica” o escândalo envolvendo o banco Master e, por essa razão, deveria se afastar do caso.



Segundo o texto, não haveria razão para a investigação ter sido deslocada ao Supremo Tribunal Federal (STF). O editorial aponta que o argumento usado para justificar a subida do inquérito — o fato de um deputado federal ter realizado uma negociação imobiliária com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — teria funcionado como “pretexto para um desaforamento” que, na visão do jornal, interessaria apenas a uma “máfia” instalada na organização financeira.


Sigilo, decisões contestadas e bastidores do caso

A Folha argumenta que os investigados teriam sido beneficiados com a decretação de sigilo sobre o inquérito — descrita como um dos primeiros atos de Toffoli. O editorial menciona ainda que, poucos dias antes, o ministro teria viajado em um jato particular com o advogado de um diretor do Master investigado no caso.


O texto também critica a “acareação” determinada por Toffoli “ao arrepio dos protocolos” entre suspeitos de orquestrar “uma fraude bancária de proporções inauditas” e um diretor do Banco Central, órgão responsável por investigar irregularidades no sistema financeiro.



Na avaliação do jornal, mesmo após um “recuo parcial” e a revelação — “por esta Folha” — de conexões de negócios envolvendo irmãos e primo do ministro com um fundo ligado aos desvios, Toffoli não teria deixado de adotar medidas classificadas como “abstrusas”.


Polícia Federal, PGR e o controle das provas

O editorial sustenta que o ministro demorou a aceitar um pedido da Polícia Federal, apoiado pela Procuradoria, para realização de novas diligências. Em seguida, segundo o texto, Toffoli teria proferido uma decisão considerada incomum ao ordenar que a polícia depositasse as provas colhidas no próprio STF.


Contrariado, diz o editorial, o ministro recuou novamente de forma parcial e determinou que o material fosse encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), quando, segundo o jornal, deveria seguir diretamente para as perícias da PF.


O texto afirma que o “resultado visível” do comportamento de Toffoli seria “tão somente” o de abafar notícias incômodas, controlar as informações disponíveis ao público e “prejudicar e intimidar” os agentes do Estado encarregados da investigação.



Para a Folha, a consequência política e institucional desse movimento seria grave: “A República ganharia com o seu afastamento do inquérito”, conclui o editorial.


Moraes e a abertura de apuração sigilosa de ofício

O editorial também traz críticas ao ministro Alexandre de Moraes, mencionando a abertura de “mais uma apuração sigilosa de ofício”, desta vez contra a Receita Federal e o Coaf, órgão responsável por monitorar transações financeiras.


Segundo o texto, Moraes estaria contrariado com um suposto vazamento de dados pessoais de integrantes da Corte. A Folha sustenta que, com essa atitude, o ministro reincidiria na prática “heterodoxa” de colocar-se simultaneamente na posição de investigador e de potencial vítima.


Para o jornal, as movimentações de Moraes e Toffoli, no contexto do caso Master, indicariam uma resposta considerada inadequada diante do noticiário sobre supostas fraudes bilionárias e redes de corrupção que teriam se formado em torno do banco

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