Artigo, especial - O bolsonarismo nãoquer um tecnocrata

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano

Um episódio nas redes sociais expôs uma tensão latente na direita brasileira. Ou melhor, em uma parte que se diz à direita. Um vídeo crítico ao PT, postado pelo governador de São Paulo, recebeu um co mentário de sua esposa: “Nosso país precisa de um novo CEO, meu marido!”. A curtida pública do governador transformou o que poderia ser um gesto familiar em um sinal político imediato. Foi mais um teste coordenado, com aparência de engajamento orgânico, mas guiado pelo mesmo componente de sempre: o cálculo político. Em poucas horas, pesquisas foram amplificadas, narrativas circularam e o debate se infla mou. Os argumentos que surgiram foram quase infantis: “A rejeição ao nome de Flávio é alta”. Ora, e a rejeição ao principal adversário, que é ainda maior? O pré-candidato lançado há apenas dois meses já aparece nas pesquisas colado no candidato petista. Se o objetivo fosse fortalecer um projeto de direita, o foco estaria na consolidação desse nome, não em desqualificá-lo. Nesse caso, o problema vai muito além de nomes. A ideia de “CEO para o Brasil” carrega uma visão antiga e limitada: o país como empresa deficitária, o povo como quadro funcional, as decisões reduzidas a indicadores de desempenho, cortes de custo e eficiência técnica. Basta trocar o gestor, ajustar a planilha e tudo “vai funcionar”. É a ilusão tecnocrática de que a política pode ser substi tuída por administração fria, acima dos conflitos reais, tutelando permanente mente uma sociedade que não sabe se governar sozinha. Mas parte significativa dela sabe exatamente o que não quer. O bolsonarismo surgiu também como reação a essa visão, contra a pretensão de que a nação é uma corporação mal gerida e que um executivo pode consertá-la sem envolver e respeitar o povo em seus valores, soberania e identidade. O Brasil não pode ser reduzido a uma pla nilha. Os conflitos não se resolvem com pitch de investidor: esse já é o Brasil que não funciona, que teve apenas um intervalo de 4 anos com Jair Bolsonaro. O sistema se reorganizou e o resto da história todos conhecem. O movimento de 2018 foi popular e visceral. Nesse contexto, o cálculo político f ica evidente. O apoio ao nome escolhido pelo líder permanece tímido, a defesa do ex-presidente tem espasmos pontuais — pedidos isolados de anistia, notas esporádicas afirmando que “está ajudando” —, mas sem continuidade contra a perseguição que se arrasta. A planilha de quem ainda espalha por aí que a candidatura presidencial cairá no colo, não tem uma coluna fundamental: gratidão e memória. Sem o movimento que projetou o governador do anonimato para comandar o estado mais impor tante do país, ele permaneceria em cargos secundários, servindo a governos, inclusive, de espectros opostos. Após o episódio do “CEO”, Tarcísio teve mais um choque de realidade, a reação da base bolsonarista foi forte. Não adianta jogar para diluir um movimento legítimo. A direita venceu em 2018 por ser autêntica e conectada ao povo, logo não aceita o establishment que sem pre a desprezou. O bolsonarismo segue mais vivo do que nunca. O governador teve mais uma prova da força do movimento. Assim como em to das as vezes que enviou sinais trocados, Tarcísio se viu obrigado a afirmar, mais uma vez timidamente, que o seu nome para 2026 é Flávio. Será que essa cons • Ilusão tecnocrática: Brasil tratado como planilha, política substituída por gestão fria, conflitos reais ignorados em nome de eficiência e métricas. • Cálculo e oportunismo: Movimentações artificiais, pesquisas instrumentalizadas e apoio protocolar para manter opções abertas, enfraquecendo um projeto legítimo. • Base e memória: Força política nasce do povo; sem gratidão ao movimento que construiu lideranças, não há legitimidade nem sustentação de poder. Pág. 1 ciência veio para ficar?

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